URGENTE: Parlamento Europeu bloqueia site de Shellenberger após Twitter Files França; confira entrevista - Claudio Dantas
Brasília, Sábado, 27 de junho de 2026
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URGENTE: Parlamento Europeu bloqueia site de Shellenberger após Twitter Files França; confira entrevista

Michael Shellenberger, jornalista e editor-chefe do veículo Public. Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons.
Michael Shellenberger, jornalista e editor-chefe do veículo Public. Foto: Gage Skidmore/Wikimedia Commons.

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Por Eli Vieira

Jornalista e Biólogo

Portal Public foi posto em “lista negra” por “equipe de emergência”

As autoridades europeias responderam de duas formas à reportagem Twitter Files França, publicada na quarta-feira por Michael Shellenberger em seu veículo Public.

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A reportagem revelou um esforço de ONGs apoiadas pelo governo de Emmanuel Macron de usar processos judiciais para intimidar plataformas de mídia social a implantarem mais censura. Macron também insistiu em falar pessoalmente com o CEO do Twitter em 2020 sobre moderação de conteúdo.

Em seu perfil no X, a Embaixada da França nos Estados Unidos repostou a reportagem com um meme jocoso, baseado na famosa cena de um documentário em que David Beckham pede à sua esposa Victoria que seja honesta.

“Preciso passar menos tempo usando meu chapéu de folha de alumínio”, diz a personagem do meme. Em outras palavras, a embaixada está alegando que as revelações da reportagem são teoria da conspiração.

A outra aparente reação foi denunciada pela eurodeputada francesa Virginie Joron, de direita nacionalista. Na manhã de hoje, ela postou uma foto de sua tela de computador, com o navegador mostrando o endereço do Public, com um aviso da rede do Parlamento Europeu: “Este website foi bloqueado por razões de segurança”.

Aviso de bloqueio do site Public na rede do Parlamento Europeu. Foto: Reprodução/X
Aviso de bloqueio do site Public na rede do Parlamento Europeu. Foto: Reprodução/X

O aviso acrescenta que o site foi encontrado em uma “lista negra” usada pela “equipe de resposta a emergências computacionais” do Parlamento Europeu (EP CERT).

Shellenberger reagiu ao bloqueio. “Esta é a censura que Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen [presidente da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia] buscam impor ao mundo”, comentou o jornalista.

O veículo Public e a eurodeputada Joron pediram esclarecimentos ao Parlamento Europeu sobre o bloqueio. Se a instituição se explicar, o artigo será atualizado com a explicação.

Entrevista com Michael Shellenberger

Conversei com Michael Shellenberger sobre o acontecido e sobre a reportagem. Sobre o meme da embaixada e o bloqueio, o jornalista disse que “é perturbador, em especial por vir junto com o totalitarismo no Brasil, na Alemanha e no Reino Unido”.

Ele se refere à deterioração da liberdade de expressão nesses países. Após o humorista Léo Lins ter sido condenado a oito anos de prisão em primeira instância, nesta semana o comediante irlandês Graham Linehan foi preso no aeroporto de Heathrow em Londres por opiniões e piadas contra o movimento trans que ele postou no X em abril. Na Alemanha, há anos as pessoas recebem a polícia na porta de casa por opiniões e críticas postadas nas redes sociais.

Perguntei a Shellenberger se houve alguma resposta mais séria aos Twitter Files de pessoas influentes na França.

“Não. E, como estou descobrindo, os franceses são muito mais conformistas que os brasileiros, os americanos e os britânicos”, afirmou o editor-chefe do Public.

Para ele, o que há em comum nas revelações das reportagens Twitter Files sobre os Estados Unidos, o Brasil e a França é que “em todos os casos documentamos que oficiais de inteligência e segurança se envolveram em esquemas ilegais de censura”.

Um detalhe da reportagem da França foi a revelação de que o CEO do Twitter França conseguiu driblar a pressão de uma corte do país para obter dados de usuários informando que os dados não estavam sob sua custódia, mas sob a custódia do escritório internacional do Twitter na Irlanda. Para Shellenberger, essa estratégia “não vai funcionar nunca mais”. Ele disse que fica “até surpreso que funcionou na época”.

Por trás do embate, há dois modelos da liberdade de expressão: o americano, que é amplo e em conformidade com grandes pensadores da liberdade, como John Stuart Mill, e aquele produzido na França desde sua Revolução de 1789.

Comentei com Shellenberger que o intelectual de esquerda americano Noam Chomsky, grande defensor da liberdade de expressão, disse certa vez que a França produz disparates intelectuais porque é uma cultura insular.

“Um amigo francês me disse”, respondeu o jornalista, “que os americanos construíram sua nação motivados pela desconfiança contra o Estado, enquanto os franceses construíram seu país motivados por um (profundo) desejo de ser parte dele. Eu concordo”.

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