Instalada em agosto, CPMI terá até março de 2026 para apresentar relatório
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura as fraudes no INSS está com o desafio de manter a relevância política neste segundo semestre, já que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF, previsto para começar nesta terça-feira (2), deve ganhar os holofotes.
O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (MG), reconheceu a disputa por atenção, mas defendeu que os trabalhos da comissão seguirão firmes.
“O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro naturalmente ocupará as manchetes e é um fato importante que o Brasil vai acompanhar, até por aqueles que defendem, e por aqueles que querem a condenação”, afirmou.
Viana ressaltou que a CPMI seguirá analisando provas e ouvindo depoimentos para esclarecer o “maior assalto à Previdência brasileira”. A comissão foi instalada em 20 de agosto e tem 180 dias para concluir os trabalhos, com prazo final marcado para 28 de março de 2026, após o recesso parlamentar.
As primeiras oitivas ocorreram na quinta-feira (28). Foram ouvidos a servidora da Defensoria Pública da União (DPU) Patrícia Bettin Chaves, por quase oito horas, e o delegado da Polícia Federal Bruno Bergamaschi, em reunião privada de cinco horas. Na próxima segunda-feira a comissão ouvirá o advogado Eli Cohen, especialista em mapeamento de fraudes que contribuiu para desvendar o esquema.
Para o presidente da CPMI, as sessões devem fragilizar o governo Lula, visto que o valor desviado foi durante a atual gestão.
“A grande quantidade de dinheiro que desapareceu, desapareceu no governo Lula. Mas não foi só nesse governo. Começou a ser descontado lá atrás no governo Dilma e veio aumentando no governo Temer. No final do governo Bolsonaro, tivemos também uma elevação das liberações, e a maior fatia no atual governo. Naturalmente, que isso desgasta o governo. Isso, sem dúvida nenhuma”, disse Viana.
A instalação da CPMI já representou uma derrota para o Palácio do Planalto, que articulava para colocar Omar Aziz (AM) na presidência. O comando ficou com Carlos Viana, enquanto a relatoria foi para o deputado Alfredo Gaspar (AL), frustrando a tentativa do governo de emplacar Ricardo Ayres (TO), indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (PB).
O colegiado segue com oitivas e promete intensificar os trabalhos mesmo diante da atenção nacional voltada ao julgamento do ex-presidente Bolsonaro.
