O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (18) que assinará um decreto antes das eleições legislativas, com o objetivo de proibir o voto por correio e o uso de urnas eletrônicas.
Em uma publicação nas redes sociais, Trump disse que irá liderar um “movimento” para acabar com o voto por correspondência e com as urnas eletrônicas que, segundo ele, são “altamente ‘imprecisas’, muito caras e seriamente controversas”, sem apresentar evidências.
Segundo Trump, a ordem executiva “ajudará a trazer honestidade” às eleições, já que o processo de voto por correspondência seria um método pelo qual os democratas “trapaceiam em níveis nunca vistos antes”.
I am going to lead a movement to get rid of MAIL-IN BALLOTS, and also, while we’re at it, Highly “Inaccurate,” Very Expensive, and Seriously Controversial VOTING MACHINES, which cost Ten Times more than accurate and sophisticated Watermark Paper, which is faster, and leaves NO…
— Trump Truth Social Posts On X (@TrumpTruthOnX) August 18, 2025
A medida é vista por deputados democratas como uma forma de enfraquecer o eleitorado de esquerda, já que muitos eleitores de baixa renda, que tradicionalmente votam nos democratas, utilizam o voto por correio para evitar dificuldades de comparecimento presencial em dias de semana.
As eleições de meio de mandato — que elegem senadores e deputados — são cruciais para para os republicanos, pois podem fazer com que o partido de presidente perca a maioria no Congresso.
O anúncio desta segunda ocorre após uma tentativa anterior de Trump de mudar as regras eleitorais por meio de uma ordem executiva ter sido bloqueada pelos tribunais. Na ocasião, em março, ele assinou um decreto para que eleitores comprovassem a cidadania americana para votar, citando o sistema eleitoral do Brasil e da Índia como modelos a serem seguidos.
“A Índia e o Brasil, por exemplo, estão vinculando a identificação do eleitor a um banco de dados biométrico, enquanto os Estados Unidos dependem amplamente da autodeclaração de cidadania”, escreveu no documento.
No processo eleitoral dos EUA, cada um dos 50 estados tem autonomia para organizar as eleições, incluindo o voto por correspondência, sem que haja uma lei federal sobre o tema. No entanto, Trump advertiu os estados, afirmando que eles são “meramente um ‘agente’ do governo federal na contagem e tabulação dos votos” e devem obedecer ao presidente.
As alegações de fraude nas urnas eletrônicas, defendidas por Trump e seus aliados após as eleições de 2020, não se repetiram no pleito de 2024, quando o republicano obteve uma vitória expressiva após incetivar o voto por correio.
