Fluxo estrangeiro recua com tarifa de Trump e incerteza fiscal
Desde o anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, investidores estrangeiros vêm retirando recursos da B3. Até 17 de julho, houve saída líquida de R$ 6,37 bilhões em oito sessões consecutivas. No mês, o saldo negativo supera R$ 5 bilhões e pode marcar o pior julho desde 2021.
A taxação coloca o Brasil como o país com maior tarifa entre os atingidos, caso não haja acordo até 1º de agosto. Analistas apontam que a medida tem motivação política e aumenta o risco de o Brasil sair prejudicado na reorganização global de carteiras.
A perspectiva de impacto inflacionário e incertezas sobre crescimento dificultam o alívio da política monetária. A Selic elevada, hoje em 15% ao ano, também desestimula o investimento em ações.
A Bolsa atraiu R$ 26,4 bilhões em capital estrangeiro no primeiro semestre e acumulava alta de 15,44% no período. Mas a nova tarifa e ruídos institucionais, como a decisão do STF de restabelecer o aumento do IOF, elevam a volatilidade.
Há receio de ingerência política sobre o Fed, incertezas fiscais e tensões entre os Poderes. O cenário adia decisões de investidores que aguardam sinais mais claros sobre o ciclo de juros e possíveis acordos comerciais com os EUA.
