Tarifa de 50% imposta pelos EUA pode forçar o governo a ampliar gastos com o Bolsa Família
O governo Lula acendeu um alerta sobre os possíveis impactos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao Brasil nas contas do Bolsa Família. Técnicos do Ministério do Desenvolvimento Social avaliam que a medida pode pressionar o orçamento do programa e ampliar o número de beneficiários.
Entre as projeções em estudo, está a possibilidade de alta no desemprego e na inflação de alimentos, o que obrigaria o governo a aumentar o valor do benefício ou incluir mais famílias no programa. O risco de alta do dólar também preocupa, pois pode alterar o critério internacional que define a extrema pobreza, baseado em US$ 2,15 por dia.
Segundo a pasta, o objetivo do governo é ampliar o valor do benefício por justiça social, não por necessidade imposta pela crise. Internamente, a ordem continua sendo a de estimular a saída dos beneficiários por aumento de renda.
O impacto do tarifaço também é monitorado na área cambial. Com a moeda americana em alta, o número de brasileiros classificados como extremamente pobres pode crescer, o que prejudica a imagem internacional do país em ano pré-eleitoral.
A decisão dos EUA foi anunciada por Donald Trump em 9 de julho e está vinculada à tensão diplomática com o governo Lula e ao julgamento de Jair Bolsonaro no STF. Trump classificou a situação como “ataques insidiosos à democracia”. O governo brasileiro diz que não há interlocução direta para negociação.
O vice-presidente Geraldo Alckmin informou que conversou com o secretário de comércio dos EUA, Howard Lutnick, no sábado (19/7), mas a reunião ocorreu a portas fechadas e sem avanços divulgados.
