Senador afirma que declaração do presidente sugere desprezo pelas regras da democracia representativa
O senador Rogério Marinho (PL-RN) publicou um artigo no portal Poder360 reagindo à declaração feita pelo presidente Lula durante um encontro com figuras da esquerda latina. No evento, realizado no último domingo (21), em Santiago, no Chile, o petista afirmou que “cumprir o ritual eleitoral a cada 4 ou 5 anos já não é mais suficiente”.
Segundo Marinho, a fala de Lula levanta dúvidas sobre o valor do voto popular e expressa um projeto político com o intuito de centralizar o poder e limitar a atuação da oposição. O senador afirma que a declaração “não é um deslize retórico”, mas parte de um plano que busca restringir liberdades e controlar instituições.
Marinho cita medidas do Judiciário que, segundo ele, têm avançado sobre competências do Congresso, além da atuação da Advocacia-Geral da União em conjunto com o Supremo Tribunal Federal (STF) em ações que envolvem censura a parlamentares, jornalistas, padres e médicos. Para o senador, há uma perseguição concentrada contra adversários políticos do governo, especialmente figuras da direita.
O parlamentar também critica a defesa feita pelo presidente sobre a censura das plataformas digitais e do “combate à desinformação”, alegando que a intenção real seria eliminar críticas e silenciar opositores. Marinho afirma que “a direita está sendo calada, perseguida e desmoralizada – não por cometer crimes, mas por ousar fazer oposição”.
O senador menciona ainda a existência de prisões preventivas e censura prévia aplicadas contra um único campo político, o que, segundo ele, representa um desequilíbrio no funcionamento das instituições democráticas. Ele defende os princípios da democracia liberal, como o voto livre, a alternância de poder, o direito de discordar e a separação dos Poderes.
No artigo, Marinho lembra que Lula já relativizou o conceito de democracia ao se referir ao regime venezuelano de Nicolás Maduro. Ele também compara o modelo defendido por Lula aos de países como Cuba e Nicarágua, onde há eleições controladas, imprensa sob censura e população reprimida.
O senador conclui com um apelo à sociedade para que não aceite discursos que, sob o pretexto de defender a democracia, buscam consolidar um projeto de poder único. Para Marinho, está em curso um plano de governo autoritário que precisa ser barrado.
