O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), avalia indicar o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) para a relatoria da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investigará o roubo dos aposentados. A possível nomeação do parlamentar, apoiada por integrantes do Centrão, ocorre em meio ao acirramento da crise entre Legislativo e Executivo, após a derrubada do decreto presidencial que aumentava o IOF.
A decisão, considerada inédita desde 1992, contou com 383 votos na Câmara, sendo 242 de partidos da base do governo, e foi aprovada simbolicamente no Senado. O Planalto perdeu a expectativa de arrecadar até R$ 10 bilhões até 2026, o que fragilizou ainda mais a equipe econômica e expôs o desgaste da articulação política.
Parlamentares ouvidos reservadamente afirmaram que Nikolas representa a resposta política à condução do governo, que, segundo o grupo, não cumpre acordos e falha na articulação. O parlamentar mineiro já havia apresentado requerimento para abrir uma CPI do INSS na Câmara, mas o pedido não avançou por questões regimentais.
“Por ter essa posição de querer fazer justiça às vítimas do roubo do INSS, seria uma oportunidade para honrar o papel do Parlamento. Sempre há essa possibilidade [de virar relator]”, afirmou Nikolas ao Congresso em Foco.
A relatoria da CPMI cabe à Câmara, enquanto a presidência deve ser assumida por um senador — o nome mais cotado é o de Omar Aziz (PSD-AM). O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, deu prazo até 17 de julho, último dia útil do semestre, para os partidos definirem os nomes.
Desgaste acumulado
Além da derrubada do decreto do IOF, há crescente insatisfação com o atraso na liberação de emendas. Até a semana passada, o governo empenhou R$ 2,3 bilhões, mas pagou apenas R$ 465 milhões, o que gerou reação inclusive entre partidos que ocupam ministérios.
A votação contra o governo na questão do IOF teve 63% de apoio entre MDB, Republicanos, União Brasil, PP e PSB. O movimento reforçou o nome de Nikolas, mesmo sendo um dos principais opositores do governo Lula nas redes sociais e no Congresso.
A instalação da CPMI está prevista para acontecer após o recesso parlamentar de julho.
