Post no X questiona decisão de Moraes sobre prisão e inquérito
O advogado constitucionalista André Marsiglia usou as redes sociais para criticar a decisão do ministro Alexandre de Moraes de abrir inquérito contra o advogado Eduardo Kuntz, responsável pela defesa do coronel Marcelo Câmara, ex-assessor do Bolsonaro. Em postagem no X, Marsiglia apontou uma inversão jurídica no caso, ao destacar que o advogado denunciou indícios de coação na delação do tenente-coronel Mauro Cid, mas acabou sendo acusado de obstrução à Justiça.
“O advogado do réu denuncia que Cid o procurou e se disse coagido. O advogado pede anulação da delação, Moraes ignora, prende o cliente e acusa o advogado de obstrução. Quem denuncia a delação viciada sai acusado, quem foi acusado de viciar a delação sai ileso”, escreveu Marsiglia.
A crítica veio após Moraes determinar a prisão de Marcelo Câmara por descumprimento de medidas cautelares e abrir uma investigação contra Kuntz por suspeita de tentar acessar informações sigilosas da colaboração de Cid.
As mensagens usadas pela defesa de Câmara para pedir a anulação da delação mostravam Cid reclamando da condução do processo e afirmando que a Polícia Federal tentou forçá-lo a usar a palavra “golpe”.
Na avaliação de Marsiglia, o STF tratou como crime a tentativa da defesa de demonstrar possíveis irregularidades na delação. Kuntz anexou ao Supremo uma ata notarial com as conversas que teve com Cid pelo Instagram, em período em que o militar estava proibido de utilizar redes sociais ou de manter contato com outros investigados.
Ao mesmo tempo em que a defesa de Câmara passou a ser investigada por obstrução, o próprio Cid, que segundo as mensagens teria relatado pressões durante sua delação, permanece sem sofrer consequências por supostamente violar as medidas cautelares impostas pelo STF.
