Lupi retoma comando do PDT e inicia debate sobre apoio ao governo Lula - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Lupi retoma comando do PDT e inicia debate sobre apoio ao governo Lula

Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Compartilhe em

Foto do autor

Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Carlos Lupi reassume nesta terça-feira (20) a presidência nacional do PDT em evento marcado na sede do partido, em Brasília. O encontro vai reunir parlamentares, dirigentes nacionais e líderes estaduais da legenda para discutir o futuro político da sigla, o relacionamento com o governo federal e o impacto da crise do roubo dos aposentados e pensionistas do INSS.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A saída de Lupi do Ministério da Previdência Social, no início do mês, foi motivada pelo escândalo de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas. A operação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União identificou fraudes bilionárias e expôs fragilidades na gestão do órgão, incluindo a nomeação de Alessandro Stefanutto para o comando do INSS — indicação feita por Lupi, que foi exonerado no mesmo dia da ação da PF.

De acordo com as investigações, entre 2019 e 2024, foram realizados descontos indevidos que somam R$ 6,3 bilhões. O montante pode chegar a R$ 8 bilhões, considerando fraudes anteriores a esse período.

Com a saída de Lupi, o PDT se afastou formalmente da base governista na Câmara, embora senadores da sigla ainda mantenham alinhamento com o Planalto. Durante o encontro, os pedetistas devem avaliar se mantêm uma postura de independência ou se voltam a integrar oficialmente a base aliada. Há também resistência a se unir à oposição, segundo integrantes da legenda.

Lupi, segundo aliados, está insatisfeito com o tratamento recebido no governo e deve defender uma posição autônoma do partido. Dirigentes apontam que o PDT foi tratado como “aliado automático” por Lula, o que teria levado o Planalto a priorizar outras legendas do centrão nas negociações políticas.

Outro ponto em debate será a estratégia do PDT para as eleições de 2026. A legenda discute lançar um nome próprio à Presidência, sendo Ciro Gomes o principal cotado. No entanto, o ex-ministro ainda não se posicionou oficialmente sobre sua participação na próxima disputa.

Internamente, há quem defenda que o partido concentre esforços na formação de uma bancada robusta no Congresso para superar a cláusula de barreira. Essa estratégia poderia adiar uma candidatura ao Planalto, especialmente em um cenário de polarização entre Lula e Jair Bolsonaro, como em 2022.

Se o quadro eleitoral for diferente — com nomes como o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa —, membros do partido acreditam que o PDT teria mais espaço para apresentar uma candidatura própria, rompendo com o embate direto entre PT e PL. Tarcísio, no entanto, voltou a negar publicamente a intenção de concorrer à Presidência.

Ciro também é citado como possível candidato ao governo do Ceará, tentando recuperar espaço no Estado, hoje dominado por aliados do PT. No entanto, há avaliação de que uma nova derrota local enfraqueceria ainda mais sua relevância nacional.

Para garantir competitividade nas próximas eleições, o PDT também avalia formar federação ou até fusão com outros partidos. Segundo dirigentes, já houve diálogos com PV, PSB, Solidariedade e Cidadania. A legenda analisa o impacto dessas alianças em cada Estado.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade