O Partido Liberal (PL) prepara uma nova estratégia de comunicação para desgastar o governo Lula diante das denúncias de roubos aplicados a aposentados e pensionistas do INSS. A legenda trabalha na produção de peças publicitárias para TV, rádio e internet explorando o escândalo.
Quem rouba não cuida! Campanha do PL. 🚨📣 pic.twitter.com/6e0KjoFidZ
— Claudio Dantas (@claudio_dantas_) May 19, 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gravou uma dessas peças ao lado de um casal de idosos que relata ter sido vítima dos descontos irregulares. Segundo relatório da Controladoria-Geral da União (CGU), as fraudes se intensificaram nos últimos anos, com o valor dos descontos saltando de R$ 536 milhões, em 2021, para R$ 1,3 bilhão em 2023.
A bancada do PL deve se reunir na próxima terça-feira (20) para alinhar a ofensiva política. A principal aposta do partido é a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar os desvios no INSS. O nome sugerido para o colegiado é “CPMI do Roubo dos Aposentados”.
O cerco à culpa
O pedido já reúne 223 assinaturas de deputados e 36 de senadores — número superior ao mínimo necessário. O deputado Luciano Zucco (PL-RS), líder da oposição, afirmou que recorrerá ao Judiciário caso as presidências da Câmara e do Senado não instalem a comissão. “Tem um precedente claro: o STF já determinou a instalação da CPI da Pandemia. Não tem motivo jurídico para impedir agora a CPI do Roubo dos Aposentados”, disse.
O governo, por sua vez, articula para controlar a CPMI. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, defende que a base aliada assuma a presidência e a relatoria da comissão. O nome da deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que também assinou o pedido de criação, é cogitado para a relatoria.
“Estou disposta a assumir um papel relevante na comissão, para garantir a independência da investigação”, afirmou Tabata.
Enquanto o PL prepara sua campanha, o PT reagiu com vídeos nas redes sociais culpando a gestão Bolsonaro pelos desvios. A série “Verdade sobre o INSS” foi lançada no perfil oficial do partido e busca dividir responsabilidades entre os governos.
A oposição vê na crise uma oportunidade para ampliar seu alcance, especialmente fora de seu eleitorado tradicional. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo sobre o tema que acumulou 137 milhões de visualizações no Instagram, gerando preocupação no Planalto. A repercussão foi comparada internamente à crise do Pix, no início do ano.
A avaliação no PL é de que, ao contrário da pauta da anistia, que mobiliza setores específicos, o escândalo do INSS atinge diretamente milhões de brasileiros. O partido estima que cerca de 4 milhões de segurados foram afetados pelas fraudes, com potencial de impacto eleitoral relevante.
A mudança de foco também ocorre em meio ao desgaste provocado por novos desdobramentos da operação da Polícia Federal sobre o plano para impedir a posse de Lula. Foram reveladas mensagens do policial federal Wladimir Matos Soares, preso desde novembro, nas quais ele afirma integrar uma “equipe de operações especiais” que estaria disposta a impedir o novo governo pela força.
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