Luís Roberto Barroso disse que, na condição de presidente do Tribunal Superior Eleitoral, pediu ajuda ao governo de Joe Biden para que fizesse declarações de apoio à democracia brasileira. A declaração foi dada durante participação em evento do grupo Lide, em Nova York.
“Eu mesmo, como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), estive como encarregado de negócios americano. Estive muitas vezes, mas, em três vezes, eu pedi declarações dos EUA de apoio à democracia brasileira, uma delas do próprio Departamento de Estado”, afirmou.
Barroso chefiou o TSE entre 2020 e 2022, quando criou a chamada Comissão de Transparência Eleitoral, para a qual convidou representantes das Forças Armadas. Ao pedir ajuda a autoridades americanas, o ministro diz que contava com a influência de Washington no Alto Comando, para evitar a eventual adesão dos militares a um golpe.
“Acho que isso teve algum papel, porque os militares brasileiros não gostam de se indispor com os EUA, porque é aqui que obtêm seus custos e equipamentos”, disse o ministro.
Em junho de 2023, o Financial Times publicou reportagem em que relatava uma “pressão silenciosa” dos EUA para que não houvesse um golpe no Brasil. Em julho de 2022, o então secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, desembarcou em Brasília onde teve uma série de encontros com autoridades militares e civis.
Em evento que reuniu os ministros da Defesa das Américas, Austin disse que militares devem estar sob controle civil e que os países americanos estariam unidos pela “devoção à democracia”. Presente no encontro, o general Paulo Sérgio Nogueira, ressaltou o respeito “à carta democrática da Organização dos Estados Americanos, seus valores, princípios e mecanismos”.
Nogueira foi denunciado pela PGR e virou réu, ao lado de Jair Bolsonaro e Braga Netto, na ação penal aberta pelo STF sobre a suposta trama golpista. Apurações em curso nos EUA pretendem desclassificar telegramas e memorandos secretos entre o Departamento de Estado e a embaixada americana em Brasília, a fim de verificar se a gestão Biden buscou interferir nas eleições de 2022.
Segundo Barroso, parece que sim e a pedido do chefe do próprio órgão eleitoral. Impressionante.
