Relator da CCJ defende suspensão total da ação contra Ramagem - Claudio Dantas
Brasília, Quinta, 04 de junho de 2026
Política

Relator da CCJ defende suspensão total da ação contra Ramagem

Ministério da Justiça formaliza pedido de extradição de Alexandre Ramagem ao Itamaraty após condenação no STF.
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

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Por Redação

O deputado Alfredo Gaspar (União-AL) apresentou nesta quarta-feira (30), na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, um parecer em defesa da suspensão completa da ação penal contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), réu por tentativa de golpe de Estado e outros quatro crimes. A proposta, que contraria entendimento do STF, beneficia o parlamentar, apontado como parte do “núcleo crucial” dos supostos atos golpistas.

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Ramagem é único parlamentar denunciado pela PGR até o momento e poderá ter o processo paralisado com base no artigo 53 da Constituição, que permite ao Congresso suspender ações penais contra parlamentares por crimes cometidos após ser diplomado.

Na semana passada, o ministro Cristiano Zanin enviou a Hugo Motta ofício em que alega que a Câmara do Deputados deverá fatiar as acusações contra Alexandre Ramagem, suspendendo o andamento de apenas parte delas.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nessa terça-feira (29) que o Judiciário está “se metendo em praticamente tudo”, prejudicando assim, a atuação dos outros Poderes. A fala foi feita após o STF determinar que a Câmara dos Deputados não pode arquivar por completo o processo contra o deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), acusado de suposta tentativa de golpe.

Do ponto de vista da segurança jurídica, a interferência, muitas vezes de forma reiterada, do Judiciário atrapalha. O Judiciário está se metendo em praticamente tudo, e isso não é bom para o país. Acaba que não tem uma regra, e você não sabe como vai estabelecer o seu investimento”, afirmou Motta.

Alfredo Gaspar sustenta em seu relatório que “não resta alternativa a esta Casa que não o sobrestamento da ação penal em sua integralidade”. Na prática, a proposta abre caminho não apenas para blindar Ramagem, mas também para criar um precedente que possa beneficiar outros réus, incluindo o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com o parecer, estão “preenchidos os requisitos para sobrestamento da ação penal”, com o objetivo de garantir “autonomia e independência ao mandato exercido pelo parlamentar legitimamente eleito”.

A CCJ é apenas a primeira etapa do processo. Caso o plenário da Câmara aprove o parecer por maioria absoluta, sendo 257 votos, a ação penal contra Ramagem ficará suspensa até o fim de seu mandato.

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