O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), decidiu não pautar o pedido de urgência do projeto de anistia aos condenados do 8 de Janeiro. A decisão foi tomada após reunião com os líderes partidários nesta quinta-feira (24).
“Não significa que o diálogo está encerrado, mas não há, neste momento, apoio suficiente para avançar com a urgência”, afirmou Motta em coletiva com a imprensa. “Líderes que representam mais de 400 parlamentares decidiram adiar a discussão”, disse.
Segundo Motta, houve consenso entre as principais lideranças de que o projeto, da forma atual, não deve avançar. A avaliação é de que uma anistia ampla poderia beneficiar “os cabeças” que tramaram o suposto golpe de Estado. “Há um entendimento de que não cabe perdoar articuladores”, afirmou.
Apesar da decisão, ele sinalizou abertura para discutir o mérito. “Seguiremos dialogando com os partidos de oposição que defendem a pauta, como PL e Novo. Eles foram legítimos na defesa da urgência, mas precisamos construir uma maioria”, afirmou. “O Parlamento não pode ser insensível, mas também não pode agir sem respaldo da maioria.”
Sobre as críticas a penas severas aplicadas a manifestantes, Motta disse que esse ponto é reconhecido. “Nenhum líder defendeu injustiças. Houve um sentimento comum de que é preciso fazer algo, mas de forma equilibrada e responsável.”
Motta afirmou ainda que, apesar da pressão da oposição, não há maioria suficiente para aprovar a urgência neste momento. “A pauta da próxima semana será voltada à educação. O tema da anistia poderá voltar à discussão se houver acordo”, concluiu.
