Galípolo diz que decisão sobre alta da Selic foi sua e não de Campos Neto - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Economia

Galípolo diz que decisão sobre alta da Selic foi sua e não de Campos Neto

Gestora investigada por lavagem de dinheiro em esquema ligado ao PCC esteve com Galípolo dias antes da operação
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

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Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, afirmou há pouco que, embora ainda não estivesse à frente da instituição, foi ele quem presidiu a última reunião do Copom no ano passado, que sinalizou a alta da taxa Selic.

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Recentemente, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, responsabilizou o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, pela decisão.

“Eu já tinha dito que o Roberto Campos [Neto] havia sido generoso de, já na última reunião [de 2024], pudesse permitir que eu pudesse assumir um papel maior de protagonismo ao longo da discussão daquela reunião do Copom. Para além disso, todos os diretores têm autonomia e, em todos os meus votos e em todos os votos dos diretores, está lá expresso o que é a consciência e a visão de cada um dos diretores”, disse Galípolo ao apresentar o Relatório de Política Monetária, que substituiu o Relatório Trimestral de Inflação.

“As decisões têm sido unânimes já há algum tempo e não cabe a mim, obviamente, fazer comentários sobre qualquer tipo de comentário do presidente da República ou do ministro”, continuou o presidente do BC.

“Isso envolve revisitar os canais de transmissão da política monetária e entender por que no Brasil é preciso doses muitas vezes maiores para a gente conseguir o mesmo efeito. Para citar aqui o Arminio [Fraga, ex-presidente do BC], a gente tem convicção de que o remédio funciona, mas a questão é, acho que historicamente, porque a gente precisa de doses maiores do remédio quando eu comparo com alguns pares”.

“E eu também tenho dito que entendo que esse é um processo de desafio quase que geracional aqui nós, para a gente endereçar a normalização da política monetária, mas que não tem uma bala de prata. E aí, nesse sentido, acho que isso dialoga com a ideia de cavalo de pau”, finalizou o indicado de Lula.

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