Diretor da ANTT migra para a CSN, empresa beneficiada por suas decisões - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Diretor da ANTT migra para a CSN, empresa beneficiada por suas decisões

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Por Redação

Rafael Vitale, ex-diretor-geral da ANTT, vai trabalhar na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) sem cumprir quarentena. A empresa, diretamente impactada por decisões da agência reguladora, obteve um alívio bilionário sob sua gestão.

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A CSN, controladora da Transnordestina Logística S.A. (TLSA) e Ferrovia Transnordestina Logística S.A. (FTL), também é acionista da MRS Logística, que opera 1.643 km de ferrovias em SP, RJ e MG. O setor ferroviário representa mais de 16% do lucro da companhia.

Enquanto comandava a ANTT, Vitale participou diretamente de um acordo, fechado no final de 2022, que concedeu à CSN uma economia de R$ 3,429 bilhões (valores de abril de 2021). O então superintendente de Transporte Ferroviário da ANTT, Ismael Trinks, também envolvido nas tratativas, deixou a agência para se juntar à CSN em abril de 2024.

A decisão que favoreceu a CSN excluiu um trecho de 522 km da ferrovia Transnordestina, conectando Salgueiro (PE) ao Porto de Suape. A empresa alegou inviabilidade econômica da construção. O termo aditivo ao contrato de concessão, que oficializou a mudança, foi assinado por Vitale, Marcelo Cunha Ribeiro (diretor da CSN) e testemunhado por Trinks.

Vitale também esteve à frente da renovação antecipada da concessão da MRS Logística em 2022, que venceria apenas em 2026. Agora, outra concessão da CSN está em pauta na ANTT: a ferrovia operada pela FTL, ligando os portos de Itaqui (MA), Pecém (CE) e Mucuripe (CE). O TCU analisa a possibilidade de prorrogação, com devolução de parte da malha original.

A Comissão de Ética Pública da Presidência liberou Vitale e Trinks da quarentena de seis meses, que poderia impedir a migração direta para a CSN. No pedido de liberação, Vitale minimizou a conexão entre sua atuação na ANTT e os interesses logísticos da CSN, alegando que a empresa é do setor de siderurgia e mineração. O balanço da própria CSN, no entanto, aponta que o setor ferroviário responde por parte significativa de seus lucros.

A nomeação de Vitale levanta questionamentos sobre o trânsito entre reguladores e empresas privadas, especialmente no setor de infraestrutura, onde decisões da ANTT podem gerar impactos bilionários. O caso reacende o debate sobre conflito de interesses e a necessidade de regras mais rígidas para evitar situações semelhantes.

 

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