Financial Times diz que Brasil foi o mais afetado por novo tarifaço dos EUA
Brasília, Sexta, 24 de julho de 2026
Economia

Financial Times diz que Brasil foi o mais afetado por novo tarifaço dos EUA

Levantamento aponta que tarifa efetiva sobre produtos brasileiros teve a maior alta entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos

07.05.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 
Casa Branca, Washington, D.C.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Por Mariana Albuquerque

O Brasil foi o país mais prejudicado pela reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos anunciada pelo presidente Donald Trump, segundo análise publicada nesta sexta-feira (24) pelo Financial Times. O levantamento aponta que a tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros subiu de 11% para 17,7%, o maior aumento entre os principais parceiros comerciais dos EUA.

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Os dados são da organização independente Global Trade Alert, que comparou os efeitos da nova política tarifária adotada pela Casa Branca.

Enquanto os produtos brasileiros passaram a enfrentar uma carga maior, países europeus tiveram redução nas tarifas efetivas.

Segundo o estudo, França, Alemanha, Reino Unido e Espanha registraram queda nas alíquotas. Bélgica, Espanha e Itália apareceram entre os países com as maiores reduções, entre um e um ponto e meio percentual.

De acordo com Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, parte das exportações europeias passou a se enquadrar nas exceções criadas pelos Estados Unidos para produtos considerados estratégicos, como diamantes, cortiça e ferro-gusa.

“As tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente.”

Nova política substituiu tarifa global

A reformulação ocorreu após a Suprema Corte dos Estados Unidos considerar ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas por Donald Trump em abril de 2025.

Para manter a política comercial, o governo norte-americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por alíquotas específicas para cada país, com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Segundo George Riddell, diretor da consultoria Goyder, esse modelo dificulta que uma eventual decisão judicial suspenda toda a política tarifária.

Nesse formato, uma eventual vitória judicial tende a beneficiar apenas o país que questionar a medida.

Tarifa sobre produtos brasileiros chega a 37,5%

Na quinta-feira (23), os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros e de outros 59 países, sob a justificativa de que essas nações não combatem de forma eficaz a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

A nova cobrança entrou em vigor nesta sexta-feira (24). Como parte das exportações brasileiras já está sujeita a uma tarifa adicional de 25%, alguns produtos poderão enfrentar tributação de até 37,5%.

O governo americano prevê exceções para produtos considerados estratégicos.

América Latina e Ásia também registram aumento

Além do Brasil, outros países da América Latina e da Ásia tiveram aumento nas tarifas efetivas.

China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia registraram elevação entre 0,5 e 1 ponto percentual.

Mesmo com a redução das tarifas para parte dos produtos europeus, a União Europeia acompanha novas investigações comerciais conduzidas pelos Estados Unidos, que poderão resultar em tarifas adicionais sobre setores industriais.

Caso isso ocorra, a Comissão Europeia mantém preparado um pacote de retaliação sobre cerca de € 93 bilhões em exportações norte-americanas, incluindo automóveis, bourbon e soja.

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