Galípolo compara modelo cartão de crédito a "jabuticaba"
Brasília, Sexta, 24 de julho de 2026
Economia

Galípolo compara modelo de cartão de crédito no Brasil a “jabuticaba”

Presidente do Banco Central afirmou que arranjo brasileiro é diferente do adotado em outros países

AO VIVO: CPI do Crime Organizado ouve Gabriel Galípolo
Foto: Reprodução/TV Senado

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Por Redação

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, comparou, nesta sexta-feira (24), o modelo brasileiro de cartão de crédito a uma “jabuticaba” ao defender uma revisão gradual do sistema de pagamentos do país. A declaração foi feita durante participação no evento XP Expert, em São Paulo.

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Segundo Galípolo, o funcionamento do crédito no Brasil possui características pouco comuns em outras economias, especialmente o prazo para liquidação das compras realizadas no cartão e o elevado custo do crédito rotativo.

“Tem coisa que é legal ter especificamente no Brasil. A jabuticaba é uma fruta legal, mas tem coisa que você não quer ser o único a ter”, afirmou.

Durante o painel, o presidente do BC observou que, enquanto em diversos países os pagamentos feitos com cartão são liquidados em poucos dias, no Brasil esse prazo costuma chegar a 30 dias. Como exemplo, citou que a liquidação ocorre, em média, em dois dias em diversas economias e em cerca de 15 dias na Argentina.

Galípolo também chamou atenção para a diferença entre a taxa básica de juros e os encargos cobrados no crédito rotativo do cartão. Segundo ele, enquanto a Selic está em 14,25% ao ano, os juros do rotativo giram em torno de 15% ao mês, indicando que essa modalidade é pouco sensível às decisões de política monetária.

Na avaliação do presidente do Banco Central, o atual modelo tem origem em características históricas da economia brasileira, marcadas pelo período de alta inflação. Ele citou exemplos como o uso do cheque pré-datado e a expressão “passar à vista no crédito” para ilustrar práticas que, segundo ele, são incomuns em outros países.

Galípolo explicou que o sistema atual movimenta uma ampla cadeia de crédito. De acordo com ele, cerca de 60 milhões de pessoas utilizam o cartão para compras à vista ou parceladas sem pagamento de juros, enquanto aproximadamente 40 milhões recorrem ao crédito rotativo e arcam com taxas elevadas.

Para o presidente da autoridade monetária, esse cenário revela a necessidade de uma adaptação estrutural do sistema de pagamentos brasileiro, aproximando-o dos modelos adotados internacionalmente. Ele ressaltou, no entanto, que qualquer mudança deve ocorrer de forma gradual para evitar impactos negativos sobre consumidores e o mercado.

“Vale a pena olhar o restante do mundo e entender como podemos migrar para um arranjo mais parecido com o de outros países, mas dentro do tempo necessário e sem causar prejuízo. Na linha da estabilidade, a gente se move mais como um transatlântico do que como um jet ski”, concluiu.

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