O Banco Central (BC) solicitou esclarecimentos ao BRB (Banco de Brasília) sobre a utilização de recursos do Tesouro do Distrito Federal para sustentar a liquidez da instituição financeira. O regulador quer saber qual é a participação do caixa do governo distrital no capital de giro diário do banco, que enfrenta dificuldades financeiras após o colapso do Banco Master. As informações são do portal Uol.
O pedido de informações foi encaminhado sem justificativa formal e deverá ser respondido até esta quarta-feira (22). Nos bastidores, a iniciativa foi interpretada por integrantes da instituição como um sinal de atenção do Banco Central à situação do BRB, alimentando preocupações sobre uma eventual intervenção caso o quadro financeiro se agrave.
A solicitação ocorre após a revelação de que recursos do Tesouro do Distrito Federal permaneceram depositados no BRB para reforçar o caixa da instituição. A medida foi adotada depois do rompimento do memorando de entendimento firmado com a gestora Quadra, que previa a antecipação de até R$ 4 bilhões ao banco em troca da administração de ativos adquiridos do extinto Banco Master, estimados em cerca de R$ 15 bilhões.
Com o fim da negociação, o BRB passou a buscar alternativas para manter suas operações enquanto aguarda a liberação de uma linha de crédito de aproximadamente R$ 6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Sem esse reforço financeiro, interlocutores envolvidos nas negociações avaliam que aumenta significativamente o risco de liquidação da instituição.
Segundo relatos de integrantes do governo do Distrito Federal, o banco chegou a enfrentar dificuldades de caixa para sustentar operações rotineiras, como pagamentos e concessão de crédito. Diante desse cenário, o controlador da instituição optou por manter recursos do Tesouro depositados no BRB para garantir a liquidez necessária ao funcionamento diário.
A estratégia foi confirmada publicamente pelo secretário de Economia do Distrito Federal, Valdivino de Oliveira, que afirmou que os recursos do Tesouro substituiriam o aporte que seria realizado pela gestora Quadra.
Nos bastidores, também há a avaliação de que a situação financeira contribuiu para o atraso na divulgação das demonstrações financeiras do banco. Segundo essas informações, a publicação do balanço poderia evidenciar problemas de liquidez, o que abriria espaço para medidas mais rigorosas por parte da autoridade monetária.
Crise se agravou após fracasso de acordo
A atual pressão sobre o BRB se intensificou após o cancelamento da operação com a Quadra. O plano previa que a gestora antecipasse recursos ao banco em troca da recuperação de ativos considerados de difícil liquidação. Com o distrato, a instituição passou a negociar diretamente esses ativos enquanto tenta concluir o financiamento junto ao FGC.
As negociações para obtenção do empréstimo seguem em andamento. Entre os pontos de divergência estão o prazo de carência, as garantias exigidas e o custo da operação, fatores considerados decisivos para a liberação dos recursos.
Sem esse financiamento, a eventual liquidação do BRB poderia produzir efeitos além da instituição financeira. Entre os impactos apontados estão a necessidade de acionamento do Fundo Garantidor de Créditos para ressarcir correntistas e investidores, além de reflexos sobre depósitos judiciais mantidos no banco e sobre as finanças do próprio governo do Distrito Federal.