TCU vê risco às contas públicas com universalização dos Correios
Brasília, Quinta, 23 de julho de 2026
Economia

TCU vê risco às contas públicas com universalização dos Correios

Política de universalização dos Correios opera com déficit

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Por Redação

O Tribunal de Contas da União (TCU) alertou ontem (22) que o atual modelo de universalização dos serviços postais pode gerar riscos fiscais para o governo federal. Segundo a Corte, a política que garante a atuação dos Correios em todo o país depende quase exclusivamente da capacidade financeira da estatal e não possui um mecanismo permanente de financiamento.

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A conclusão faz parte de uma auditoria da Corte que apontou desequilíbrio estrutural entre os custos da política pública e a arrecadação obtida com os serviços prestados. Na avaliação dos técnicos do TCU, a manutenção desse modelo pode aumentar a pressão sobre as contas dos Correios e, futuramente, exigir recursos do Tesouro Nacional.

Em 2025, a universalização dos serviços postais consumiu cerca de R$ 24,7 bilhões, enquanto gerou R$ 15,2 bilhões em receitas, de acordo com o TCU.

“Esse processo vem reduzindo a capacidade de os Correios autofinanciarem a execução da política pública, levando à necessidade de operações de crédito, à formulação de planos de reestruturação e ao aumento da dependência de fontes externas de financiamento”, destacam os técnicos da Corte de Contas.

O tribunal atribui o cenário ao crescimento contínuo dos custos operacionais, principalmente em regiões remotas, e à redução das receitas tradicionais do setor postal. A auditoria também concluiu que as fontes atuais de financiamento não são suficientes para garantir a manutenção e a expansão do serviço.

Apesar do alerta, o TCU ressaltou que a política de universalização continua sendo essencial para assegurar o atendimento em municípios com baixa conectividade e pouco interesse comercial para empresas privadas.

O relator do processo, Benjamin Zymler, afirmou que a dependência exclusiva dos Correios para custear a política compromete a capacidade de expansão da estatal e afeta a qualidade dos serviços, especialmente nas áreas de maior custo operacional.

Na avaliação do tribunal, a continuidade do modelo atual pode levar a aportes emergenciais da União para manter o funcionamento dos serviços postais e ampliar a exposição fiscal por meio de garantias a empréstimos dos Correios.

O TCU recomendou, diante desse cenário, que o governo Lula (PT) discuta um novo modelo de financiamento para a universalização postal. A proposta é criar mecanismos transparentes e sustentáveis para preservar a prestação do serviço sem comprometer a situação financeira da estatal nem ampliar os riscos para as contas públicas.

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