Tabata não espera votação do PL da Misoginia antes do recesso
Brasília, Quarta, 15 de julho de 2026
Política

Tabata não espera votação do PL da Misoginia antes do recesso

Avanço do texto está travado por “questões eleitorais”, de acordo com a deputada

Tabata não espera votação do PL da Misoginia antes do recesso
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

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Por Redação

A deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), relatora do PL da Misoginia, afirmou na manhã desta quarta-feira (15) que não espera a votação da proposta na Câmara antes do recesso parlamentar. De acordo com ela, o avanço do texto está travado por “questões eleitorais”.

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Em entrevista ao Metrópoles, Tabata afirmou que conversou com diferentes bancadas e partidos nos últimos 3 meses para construir um acordo sobre o projeto e que o PL foi a única legenda que não aceitou dialogar sobre a proposta.

“Nos últimos três meses eu dialoguei com todo mundo. O único partido que não quis me receber, nesse projeto que criminaliza o ódio contra as mulheres, foi o PL. Da esquerda a direita, eu conversei com todo mundo: bancada evangélica, bancada católica. E acolhi as sugestões que vieram”, disse.

“A gente não está conseguindo votar o PL por questões eleitorais. Isso é lamentável porque esse não deveria ser um projeto para ser palanque de um ou de outro”, continuou.

A deputada afirmou ainda que o texto aprovado pelo Senado recebeu apoio de parlamentares de diferentes espectros políticos: “No Senado, esse texto foi aprovado de forma unânime. A senadora Damares Alves, o senador Flávio Bolsonaro, todos votaram a favor. É inconcebível alguém ser de direita ou de esquerda, religioso ou não, e diga não ser a favor de proteger as mulheres e não ser a favor dos criminosos que estão matando as mulheres no nosso país”.

Ontem (14), Tabata havia informado que as sugestões apresentadas pela bancada evangélica foram incorporadas ao texto e que uma nova negociação poderia ser concluída até o fim do dia. As novas propostas seriam discutidas em uma reunião no Palácio do Planalto, organizada pelo ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE). A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também participaria do encontro.

Tabata afirmou ainda que o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), participa diretamente das negociações para construir um acordo em torno do PL da Misoginia.

As declarações de ontem ocorreram após uma coletiva da bancada feminina, que voltou a defender a votação do projeto antes do recesso parlamentar. As deputadas cobraram que Motta inclua o texto na pauta do plenário ainda nesta semana.

Tabata disse que o relatório apresentado por ela representa o consenso possível entre os partidos, embora não seja o texto ideal para a bancada feminina.

Caso a votação do PL seja realmente adiada, a análise do projeto pode ficar para depois das eleições. A Câmara entra em recesso ao fim desta quarta (15). Depois disso, por causa do calendário especial do pleito, haverá apenas duas semanas de votações no plenário até o início de novembro.

O PL da Misoginia equipara a misoginia ao crime de racismo, torna a prática inafiançável e imprescritível e estabelece pena de 2 a 5 anos de prisão. A proposta busca punir condutas motivadas por ódio, menosprezo ou discriminação contra mulheres.

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