Câmara acelera tramitação de projeto que equipara misoginia ao crime de racismo
Brasília, Quarta, 01 de julho de 2026
Política

Câmara acelera tramitação de projeto que equipara misoginia ao crime de racismo

Bancada evangélica e oposição apontam risco à liberdade religiosa e à liberdade de expressão

Plenário Câmara dos Deputados
Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (1º), o regime de urgência para o projeto de lei que trata da criminalização da misoginia. Com a decisão, a proposta pode ser levada diretamente ao plenário, sem análise prévia nas comissões. Ainda não há data para votação do mérito.

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Foram 293 votos favoráveis e 158 contrários à aceleração da tramitação.

O texto altera a Lei do Racismo para incluir a misoginia como forma de discriminação, equiparando o conceito a condutas já previstas na legislação penal. A definição abrange práticas ou incitações de menosprezo contra mulheres em razão do sexo, com potencial de violar direitos ou atingir a dignidade.

A proposta prevê pena de dois a cinco anos de prisão para casos de injúria por condição de mulher, mesma faixa aplicada à injúria racial. Há previsão de aumento de pena quando o crime for cometido por duas ou mais pessoas.

Também estão previstos agravantes em situações envolvendo crianças, adolescentes, idosos ou pessoas com deficiência. O texto permite ainda a suspensão de perfis em redes sociais usados para disseminação de conteúdo considerado misógino, mediante decisão judicial.

A relatoria ficará com a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), responsável por conduzir negociações em grupo de trabalho sobre o tema. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que o texto final ainda será construído com participação das bancadas.

A aprovação da urgência foi criticada por parlamentares da oposição e por integrantes da bancada evangélica, que apontam risco de subjetividade na aplicação da lei e possível impacto sobre a liberdade religiosa.

Durante a sessão, o deputado Otoni de Paula (PSD-RJ) citou trechos bíblicos e questionou a interpretação da proposta.

“Trechos como esse, em que a Bíblia manda a mulher se sujeitar ao marido, ele pode ser interpretado como um texto misógino? O texto da Câmara não dá as garantias de que não haverá a quebra da liberdade religiosa”, afirmou.

O coordenador da bancada evangélica, deputado Gilberto Nascimento (PSD-SP), também demonstrou resistência ao projeto. Segundo ele, ainda não há consenso interno para apoio à matéria.

“A bancada evangélica tem mais de 100 deputados, é uma bancada muito eclética. Eu tive dificuldade de ouvir alguns deputados que estão me ligando. Eu tenho muita dificuldade de votar a favor neste momento”, disse.

Com a urgência aprovada, o projeto pode ser pautado a qualquer momento no plenário da Câmara.

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