Lupion diz que proposta não encerra dívidas rurais
Brasília, Terça, 07 de julho de 2026
Política

Lupion diz que proposta da Fazenda não encerra impasse sobre dívidas rurais

Presidente da FPA afirma que governo apresentou alternativa, mas nega acordo para substituir projeto aprovado pelo Senado.

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou nesta terça-feira (7) que o governo apresentou uma proposta para a renegociação das dívidas rurais, mas disse que ainda não há acordo sobre as condições que serão adotadas nem sobre a substituição do projeto aprovado pelo Senado.

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Lupion participou de uma reunião no Ministério da Fazenda com o ministro Dario Durigan e integrantes da equipe econômica para discutir alternativas ao Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata da renegociação dos débitos de produtores rurais.

Ao fim do encontro, o parlamentar afirmou que a equipe econômica apresentou a possibilidade de editar uma medida provisória, mas ressaltou que a bancada ruralista continuará utilizando o texto aprovado pelo Senado como referência para as negociações.

“Não há qualquer tipo de acordo. O que houve hoje foi uma proposta do governo de apresentação da medida provisória, e ainda vamos ver o enquadramento, a taxa de juros, para atender os produtores rurais”, afirmou. “Continuamos usando o texto aprovado pelo Senado como base para qualquer tipo de negociação. E vamos manter nossa articulação em torno desse projeto.”

Segundo Lupion, também não houve consenso sobre o encerramento da tramitação do projeto aprovado pelos senadores.

“Nós não aceitamos o fim do projeto do Senado, nós não acordamos com o fim do projeto do Senado”, declarou.

A negociação foi articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), em uma tentativa de aproximar o governo e a bancada do agronegócio. Segundo Lupion, caso não haja entendimento, a FPA pretende manter a mobilização em torno da proposta já aprovada pelo Senado.

A discussão envolve critérios para enquadramento dos produtores, limites das operações, taxas de juros, prazos, período de carência e o custo da equalização dos financiamentos.

O governo considera o projeto uma das chamadas pautas de maior impacto fiscal. O Ministério da Fazenda estima que o texto aprovado pelo Senado possa gerar um custo de cerca de R$ 140 bilhões ao longo de mais de uma década. A Frente Parlamentar da Agropecuária contesta esse cálculo e afirma que o impacto seria significativamente menor.

O projeto foi aprovado pelo Senado em junho após alterações na proposta que havia passado pela Câmara. Além dos produtores atingidos por eventos climáticos extremos, os senadores ampliaram o alcance da medida para incluir perdas econômicas relacionadas a conflitos internacionais, como as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, além de prever uma linha especial de refinanciamento com juros reduzidos e prazos ampliados.

Como o texto foi modificado no Senado, a proposta retornou para nova análise da Câmara dos Deputados.

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