Alvo da PF, Adilsinho acumula R$ 4,57 milhões em dívidas com a União
Consulta à PGFN aponta débitos em nome do contraventor e de duas empresas ligadas a ele
Publicado em 02 de julho de 2026 às 13h47
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Por Mariana Albuquerque
Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.
Alvo da quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta manhã (2), o contraventor Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, também acumula mais de R$ 4,57 milhões em dívidas inscritas na Dívida Ativa da União. Consulta da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) obtida pela reportagem mostra que os débitos estão registrados em nome do investigado e de duas empresas ligadas a ele.
A nova fase da Operação Unha e Carne teve origem na análise de planilhas apreendidas em investigações anteriores. Segundo a Polícia Federal, os documentos registram supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e uma contabilidade paralela utilizada para lavagem de dinheiro. As anotações também mencionam nomes de agentes políticos do Rio de Janeiro.
Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foram expedidos novos mandados de prisão contra Adilsinho e o ex-deputado Rodrigo Bacellar — ambos já presos — além da prisão preventiva do pastor Márcio Poncio. A decisão também determinou o bloqueio de bens e valores de até R$ 22 milhões.
Em consulta ao sistema Regularize, da PGFN, a reportagem deste site identificou três inscrições em Dívida Ativa da União relacionadas a Adilsinho e empresas ligadas ao seu nome.
O maior débito está registrado na pessoa física do investigado, que concentra R$ 3.725.529,61, equivalente a aproximadamente 81,5% do total encontrado.
Outros dois registros aparecem em nome da empresa Adilson Oliveira Coutinho Filho Ltda. Uma das inscrições, vinculada à AOC Distribuidora, soma R$ 569.467,27. A terceira inscrição registra R$ 276.005,68.
Somados, os três débitos alcançam R$ 4.570.002,56.
Quem é Adilsinho
Adilsinho é investigado pela Polícia Federal como um dos principais nomes da chamada Máfia do Cigarro no Rio de Janeiro.
Filho de um antigo integrante da banca Paratodos, tradicional organização do jogo do bicho na Baixada Fluminense, ele é apontado pelas investigações como responsável por ampliar os negócios da família para o contrabando de cigarros e outros crimes financeiros.
Segundo a PF, a organização teria movimentado aproximadamente R$ 5,4 bilhões entre 2015 e 2024, com atuação em dezenas de municípios fluminenses.
As investigações também apontam que o grupo mantinha alianças com integrantes do tráfico de drogas e da milícia para controlar a distribuição de cigarros clandestinos, além de utilizar empresas e operadores financeiros para ocultar recursos.
Nova fase da Operação Unha e Carne
Mesmo preso em penitenciária federal desde fevereiro deste ano, Adilsinho voltou a ser alvo da quinta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada nesta quinta-feira (2).
A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado à chamada Máfia do Cigarro e possíveis conexões com integrantes do Comando Vermelho e agentes públicos.
Nesta fase da operação, a Polícia Federal também cumpriu mandados contra o pastor Márcio Poncio e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar.
Histórico de investigações
Além das apurações relacionadas ao contrabando de cigarros, Adilsinho é citado em investigações sobre lavagem de dinheiro, corrupção de agentes públicos e homicídios atribuídos à disputa pelo controle da contravenção.
As autoridades também atribuem ao grupo o domínio da comercialização de cigarros clandestinos em diversas regiões do estado, sustentado por uma estrutura financeira investigada pela Polícia Federal.