Moraes manda PGR analisar dados encontrados em celular de Wassef
Brasília, Quinta, 02 de julho de 2026
Justiça

Moraes manda PGR analisar dados encontrados em celular de Wassef

Material foi separado de inquérito das joias e será avaliado em procedimento sigiloso

OAB aciona Moraes contra uso ampliado de dados de Wassef
Foto: Divulgação

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou nesta terça-feira (30) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analise informações encontradas pela Polícia Federal nos celulares do advogado Frederick Wassef.

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O material foi localizado durante a investigação do caso das joias recebidas por autoridades estrangeiras no período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e, segundo a PF, surgiu de forma incidental durante a análise dos aparelhos.

Os investigadores classificaram os achados como “eventos fortuitos”, por não terem relação direta com o objeto principal da apuração.

A PGR terá prazo de 15 dias para avaliar o conteúdo e se manifestar sobre possíveis “hipóteses criminais”.

A decisão de Moraes também determinou que o material seja desmembrado do inquérito principal e passe a tramitar em procedimento autônomo e sigiloso.

A medida segue entendimento da própria PGR, que já havia concordado com o envio separado do conteúdo por considerar que não há conexão com a investigação central.

No mesmo contexto, a Procuradoria havia defendido o arquivamento do inquérito principal sobre a suposta apropriação de presentes recebidos por autoridades brasileiras, sob argumento de ausência de legislação específica que tipifique o crime.

Agora, a análise da PGR ficará restrita ao conteúdo extraído dos aparelhos apreendidos.

Em nota, Wassef afirmou que houve violação de prerrogativas da advocacia durante a busca e apreensão e contestou a legalidade da operação.

“As minhas prerrogativas como advogado foram seriamente violadas quando sofri busca e apreensão por 4 horas e meia, sem a presença de representante da OAB”, disse.

Ele também criticou a condução da medida e afirmou que houve descumprimento de decisão judicial.

“O próprio ministro relator determinou que a busca fosse acompanhada por representante da OAB, e tal decisão judicial foi descumprida, afrontando toda a classe dos advogados do Brasil e criando um perigoso precedente. É nula e ilegal a busca e apreensão, estando viciada na origem.”

Wassef ainda contestou o enquadramento das informações encontradas pela PF:

“À parte disso, o lapso temporal de 3 anos e 3 meses não permite a figura do ‘evento fortuito’, sendo, na realidade, uma flagrante pesca probatória, ilegal e vedada pelo próprio STF. Jamais pratiquei qualquer irregularidade e não existe nada em meus celulares de ilegal ou sequer indícios de ilicitude que justifiquem apuração sem justa causa.”

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