PGR defende manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro
Brasília, Quarta, 01 de julho de 2026
Justiça

PGR defende manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro

Parecer enviado ao STF conclui que investigação não apontou falta grave por parte do ex-presidente

Segundo o filho, Bolsonaro passou a noite sem dormir devido ao refluxo e aos episódios contínuos de soluço.
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

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Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu, nesta quarta-feira (1º), a manutenção da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

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Em parecer encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, concluiu que a investigação sobre a arma de fogo apreendida durante uma blitz no Distrito Federal não identificou elementos suficientes para caracterizar falta grave capaz de justificar a revogação do benefício.

A manifestação acompanha a conclusão da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), que decidiu não indiciar Bolsonaro no caso. Segundo a corporação, o ex-presidente não cometeu crime, pois a pistola Glock calibre 9 mm apreendida estava regularmente registrada em seu nome.

No documento enviado ao STF, Gonet afirmou que o entendimento da autoridade policial encontra respaldo nas provas produzidas durante o inquérito.

“A conclusão da autoridade policial, no que se refere a Jair Bolsonaro, tem, efetivamente, bom suporte nas circunstâncias apuradas do episódio.”

O procurador-geral também avaliou que os fatos investigados não configuram infração disciplinar capaz de alterar o regime de cumprimento da pena.

“Não há imputar ao sentenciado falta disciplinar que impacte negativamente sobre o atual regime em que cumpre pena.”

Apesar de defender a permanência de Bolsonaro na prisão domiciliar, a PGR manifestou-se pela manutenção da apreensão da arma. Para o órgão, a situação jurídica do ex-presidente é incompatível com a posse de armamento, uma vez que o cumprimento de pena impede o atendimento dos requisitos legais exigidos para manter o registro de uma arma de fogo.

“É certo que a condição atual do custodiado é incompatível com a posse de arma de fogo, que pressupõe, entre outros requisitos, a comprovação de idoneidade”, afirmou Gonet no parecer.

Ao final da manifestação, o procurador-geral pediu que a execução da pena prossiga no regime atual e que a pistola permaneça retida.

Com o parecer, Alexandre de Moraes determinou a abertura de prazo de 48 horas para que a defesa do ex-presidente se manifeste sobre as conclusões do inquérito. Após essa etapa, caberá ao ministro decidir se mantém Bolsonaro em prisão domiciliar ou se altera o regime de cumprimento da pena.

Possível falta grave

Na semana passada, Moraes solicitou manifestação da PGR para avaliar. Ao fazer o pedido, o ministro lembrou que a Lei de Execução Penal considera falta grave a posse indevida de instrumento capaz de ofender a integridade física de terceiros.

Durante depoimento prestado à Polícia Civil, Bolsonaro confirmou ser o proprietário da arma apreendida. Segundo o registro da investigação, ele afirmou que mantinha o armamento em casa porque havia “três mulheres” na residência e que “não podia ficar desarmado”.

Antes da conclusão do inquérito, Gonet já havia defendido que o Supremo aguardasse o encerramento das investigações. Na ocasião, afirmou que ainda não havia elementos concretos para caracterizar descumprimento das condições impostas ao ex-presidente durante o cumprimento da prisão domiciliar.

Na terça-feira (30), advogados do ex-presidente estiveram no gabinete de Moraes para defender a manutenção da prisão domiciliar e afastar a possibilidade de reconhecimento de falta grave.

Cumprimento da pena

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por ter sido condenado como líder de uma organização criminosa que tentou promover um golpe de Estado para mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.

Ele está em prisão domiciliar por decisão do Supremo, concedida em razão de seu estado de saúde. O prazo inicialmente fixado para a medida expirou na quinta-feira (25), mas a definição sobre sua prorrogação foi condicionada tanto à avaliação médica quanto à apuração envolvendo a arma apreendida.

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