Procuradoria da Itália pede rejeição de nova extradição de Carla Zambelli
Brasília, Quarta, 01 de julho de 2026
Justiça

Procuradoria da Itália pede rejeição de nova extradição de Carla Zambelli

Órgão italiano defende anulação do pedido relacionado à condenação por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal

A decisão reafirma o entendimento anterior da Corte de Apelação de Roma, que em agosto negou o pedido de liberdade provisória ou prisão domiciliar apresentado pela defesa.
Foto: Renato Araújo/Câmara dos Deputados

Compartilhe em

Foto do autor

Por Karoline Cavalcante

Jornalista e pós-graduanda em Marketing Político e Campanhas Eleitorais

A Procuradoria-Geral da Itália defendeu, nesta quarta-feira (1º), que a Corte Suprema de Cassação rejeite o segundo pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), apresentado pelo governo brasileiro. O parecer acompanha os argumentos da defesa ao sustentar que o julgamento que resultou na condenação da parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) teria sido comprometido por falta de imparcialidade.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

A manifestação foi apresentada durante audiência realizada em Roma, onde os magistrados analisam o pedido referente à condenação de Zambelli por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, decorrente do episódio em que ela perseguiu armada o jornalista Luan Araújo, na véspera do segundo turno das eleições de 2022, na capital paulista.

A expectativa é de que a decisão da Corte de Cassação seja divulgada ainda nesta quarta-feira, no horário local.

O posicionamento da Procuradoria representa uma mudança em relação ao entendimento adotado anteriormente em outro processo de extradição envolvendo Zambelli. Há pouco mais de um mês, a mesma Corte já havia anulado o procedimento relativo à condenação da ex-deputada por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela inserção de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, os magistrados consideraram que o julgamento realizado no Brasil apresentou falhas relacionadas à imparcialidade, destacando que Moraes atuou simultaneamente como relator da ação e vítima de um dos crimes investigados.

Agora, embora o novo processo tenha sido relatado pelo ministro Gilmar Mendes e trate de fatos distintos, a Procuradoria italiana entendeu que a participação de Alexandre de Moraes no colegiado do STF também pode ter influenciado o julgamento. O órgão acolheu o argumento da defesa segundo o qual o protagonismo exercido pelo ministro no caso anterior comprometeria sua atuação na segunda ação penal.

Segundo o advogado Angelo Sammarco, que representa Zambelli na Itália, o entendimento da defesa é que, se a Justiça italiana concluiu que Moraes não poderia atuar como julgador no primeiro processo, esse impedimento também deveria alcançar o segundo.

“Se no primeiro processo o ministro Alexandre de Moraes, como parte lesada de um dos crimes, não poderia exercer a função de juiz, essa situação permanece e condiciona o segundo processo. Sua imparcialidade é comprometida”, afirmou após a audiência.

No julgamento realizado pelo STF, Moraes integrou o plenário que condenou Zambelli, apesar de a relatoria estar sob responsabilidade de Gilmar Mendes. A decisão foi tomada por nove votos a dois, com divergência apenas dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça, que defenderam a absolvição da então deputada.

A sessão da Sexta Seção Penal da Corte de Cassação ocorreu a portas fechadas e reuniu cinco magistrados. Carla Zambelli não compareceu à audiência. Ela permanece em liberdade desde maio, quando deixou a prisão em Roma após a anulação do primeiro processo de extradição. Seus advogados afirmam não saber o paradeiro da ex-parlamentar.

Além da pena de cinco anos e três meses de prisão pelo episódio envolvendo o porte de arma, Zambelli também foi condenada pelo STF a dez anos de prisão no processo relacionado à invasão dos sistemas do CNJ. Ambos os casos são alvo de pedidos de extradição apresentados pelo Brasil às autoridades italianas.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade