CGU vai investigar supostas emendas para Dark Horse
Brasília, Sexta, 26 de junho de 2026
Justiça

CGU vai investigar supostas emendas para Dark Horse

Auditoria solicitada por Dino quer rastrear recursos para entidade ligada à produtora do filme

Controladoria-Geral da União (CGU)
Foto: Kenzo Suzuki ASCOM/CGU

Compartilhe em

Foto do autor

Por Redação

A Controladoria-Geral da União (CGU) iniciou uma auditoria para investigar se recursos de emendas parlamentares destinados a entidades ligadas à empresária Karina da Gama foram desviados para financiar a produção do filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

O procedimento, tratado internamente como sigiloso, foi solicitado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino, relator das ações que apuram possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

O objetivo da auditoria é rastrear o caminho dos recursos públicos repassados às entidades administradas por Karina da Gama e verificar se os valores foram efetivamente aplicados nos projetos previstos ou se houve desvio de finalidade para custear a produção cinematográfica.

Entre os repasses sob análise está uma emenda parlamentar de R$ 2 milhões destinada pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização presidida por Karina da Gama. A empresária também é proprietária da produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse.

Em manifestação enviada anteriormente ao STF, Mário Frias negou qualquer irregularidade. O parlamentar afirmou que os recursos tiveram finalidade social e foram destinados a projetos voltados à inclusão digital, letramento, empreendedorismo e atividades esportivas para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A defesa também sustentou que não há provas de que o dinheiro tenha sido utilizado para financiar o longa-metragem.

Os auditores da CGU deverão analisar documentos, prestações de contas e a execução dos projetos contemplados pelas emendas, produzindo um relatório técnico que será encaminhado ao ministro Flávio Dino e poderá subsidiar a investigação em andamento no Supremo.

Além do caso envolvendo Mário Frias, há outros repasses sob análise. Um deles envolve uma emenda de R$ 160 mil indicada pelo deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) para uma empresa ligada à produtora, destinada, segundo a justificativa, à gestão de um campeonato de Free Fire em São Paulo.

Paralelamente à apuração conduzida no STF, empresas controladas por Karina da Gama também são alvo de investigação da Polícia Civil de São Paulo, que apura suspeitas de desvio de recursos públicos em contratos firmados com a Prefeitura da capital paulista. A investigação busca esclarecer se verbas destinadas a projetos públicos, como a instalação de internet em áreas vulneráveis, podem ter sido empregadas em finalidades diferentes das previstas, incluindo o financiamento do filme.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade