A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um organograma que detalha a estrutura atribuída ao grupo ligado ao empresário Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, a organização era dividida em núcleos responsáveis por operações financeiras, obtenção de informações sigilosas, monitoramento de alvos, intimidações presenciais e ações digitais.
De acordo com a representação, Daniel Vorcaro ocupava o topo da estrutura. Abaixo dele estariam operadores encarregados de viabilizar recursos financeiros para o funcionamento do grupo. Entre os citados pela PF estão Henrique Moura Vorcaro, pai do empresário; Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel; e Ana Cláudia Queiroz de Paiva.
Os investigadores apontam que os recursos abasteciam diferentes frentes operacionais da organização.
PF aponta pagamentos por informações sigilosas
Um dos principais focos da investigação envolve o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva, apontado como líder operacional do núcleo denominado “A Turma”.
Segundo a PF, Henrique Vorcaro repassava mensalmente R$ 400 mil a Roseno para obtenção de informações sobre investigações sigilosas. O relatório afirma que o policial aposentado teria estruturado um mecanismo para acessar dados internos da corporação por meio de servidores da ativa e aposentados.
Mensagens analisadas pelos investigadores mostram cobranças relacionadas aos repasses financeiros e tratativas sobre pagamentos adicionais. A PF também afirma que presentes e bônus de fim de ano eram utilizados para manter integrantes do esquema.
De acordo com o relatório, o acesso a sistemas internos permitia o monitoramento de procedimentos sigilosos envolvendo integrantes da família Vorcaro.
Quem integrava “A Turma”
O organograma elaborado pela PF identifica “A Turma” como o núcleo responsável por ações presenciais, obtenção de informações reservadas, monitoramento de investigações e supostos atos de coação.
Além de Marilson Roseno, aparecem no grupo o policial federal aposentado Sebastião Monteiro Júnior e o agente da ativa Anderson Wander da Silva Lima.
Segundo os investigadores, Anderson Wander teria realizado consultas em sistemas da corporação para levantar dados de interesse do grupo.
O relatório também aponta a atuação de Manoel Mendes Rodrigues, ligado ao jogo do bicho no Rio de Janeiro. A PF sustenta que ele coordenava um braço operacional composto por integrantes ainda não identificados.
Os investigadores levantam a hipótese de participação de policiais, operadores do jogo do bicho e outros colaboradores em ações presenciais ligadas à organização.
Núcleo digital reunia hackers e especialistas em monitoramento
Outro braço identificado pela investigação foi denominado “Os Meninos”.
Segundo a PF, o grupo era responsável por atividades digitais e teria atuado em invasões de dispositivos eletrônicos, monitoramento de alvos e obtenção de informações pela internet.
David Henrique Alves é apontado como líder do núcleo. Também aparecem no organograma Victor Lima Sedlmaier, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Katherine Venancio Teles.
Os investigadores afirmam que o grupo utilizava especialistas em ataques cibernéticos, além de ferramentas de automação, monitoramento digital e técnicas de sobrecarga de tráfego para atingir páginas consideradas de interesse da organização.
Sicário fazia a ligação entre os núcleos
A PF aponta Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, como responsável pela coordenação operacional entre os diferentes grupos.
Segundo o relatório, ele atuava como intermediário entre os financiadores e os executores das demandas, além de coordenar atividades voltadas ao levantamento de informações sobre antigos funcionários do Banco Master e pessoas consideradas desafetas de Daniel Vorcaro.
Os investigadores afirmam que Mourão era o elo entre os operadores financeiros e os núcleos responsáveis pelas ações presenciais e digitais.
Delegada e agente aposentado são citados na investigação
Embora não integrem formalmente o organograma, a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva e o agente aposentado Francisco José Pereira da Silva também aparecem na investigação.
Segundo a PF, há indícios de que consultas realizadas em sistemas internos da corporação foram repassadas ao grupo.
Os investigadores afirmam que Valéria acessou procedimentos para os quais não possuía atribuição funcional. A suspeita é que as informações tenham chegado aos investigados por intermédio de Francisco José Pereira da Silva.
O relatório destaca que não foram identificados pagamentos diretos ao casal, mas aponta a existência de mensagens apagadas e registros considerados relevantes para a apuração.
Estrutura integrada
Na avaliação da Polícia Federal, a organização funcionava de forma integrada. Daniel e Henrique Vorcaro seriam responsáveis pelas demandas e pelo financiamento das operações. Luiz Phillipi Mourão faria a articulação entre os núcleos.
Enquanto “A Turma” atuaria nas ações presenciais e na obtenção de informações sigilosas, “Os Meninos” ficaria responsável pelas operações digitais.
A representação enviada ao STF sustenta que a divisão de tarefas permitia a atuação coordenada dos diferentes grupos em benefício dos interesses investigados pela Operação Compliance Zero.
