Em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal (PF) afirma que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, mantinha uma “relação instrumental” com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que teria recebido “benefício econômico direto” de pelo menos R$ 468.721,78 com viagens e jantares pagos pelo banqueiro.
O documento, cujo sigilo foi retirado nesta terça (16) pelo ministro André Mendonça, relator do caso no STF, aponta que a relação tinha como objetivo atender interesses do Master no Congresso, com contrapartida em vantagens financeiras ao parlamentar.
“Tal vínculo de amizade transcende a mera relação pessoal, revelando-se, na verdade, uma relação funcional e instrumental, estruturada a partir da convergência de interesses ilícitos e orientada pelo benefício mútuo extraído por cada um dos envolvidos”, afirma a PF.
Segundo a investigação, o valor inclui despesas com viagens e estadias em cidades como Nova York, Paris, Lisboa e Courchevel, além de jantares e hospedagens em hotéis de alto padrão. Entre outros benefícios apontados estão participação em empresa por valor abaixo do mercado, pagamentos mensais de R$ 300 mil, uso de imóvel de Vorcaro e custeio de viagens internacionais com hospedagens, restaurantes e voos privados.
De acordo com a PF, o banqueiro teria custeado estadias no Park Hyatt New York, além de despesas em restaurantes e “outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”. A investigação também cita o uso de cartão para despesas pessoais.
Os investigadores localizaram ainda um diálogo em que um intermediador pergunta a Vorcaro se deveria seguir pagando contas de restaurantes de Ciro “até sábado”.
“Só uma pergunta rápida… eh pros meninos continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia até sábado?”, diz o interlocutor. Vorcaro responde: “Sim. Depois leva meu cartão para St. Barths”.
