O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), afirmou nesta quarta-feira (10) que a magistratura brasileira atravessa um período desafiador e enfrenta dificuldades financeiras que, segundo ele, nem sempre são compreendidas pela sociedade.
A declaração foi feita durante a cerimônia de posse da nova diretoria da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), realizada na sede do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília. Em seu discurso, o ministro também criticou a forma como a remuneração dos magistrados costuma ser retratada pelos veículos de comunicação.
“Contem comigo no Supremo Tribunal Federal. Um olhar sempre atento às necessidades da magistratura e me ombriando a ela neste momento difícil que atravessa, em razão, de talvez a forma como se comunicam os periódicos brasileiros em relação às dificuldades financeiras, às vezes não muito reconhecidas pela sociedade”, afirmou.
Nunes Marques ainda defendeu maior valorização do trabalho desempenhado pelos juízes e disse que a categoria busca reconhecimento público por sua atuação. “Hoje é um dia de festa, o dia que se renovam as esperanças de toda a magistratura federal de buscar o reconhecimento que merece diante não só da magistratura, mas também de toda a sociedade brasileira”, declarou.
O evento marcou a posse da juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira na presidência da Ajufe. Ela se tornou a primeira mulher a assumir o comando da entidade representativa dos juízes federais.
A cerimônia reuniu ministros dos tribunais superiores, parlamentares, integrantes do governo federal, representantes da advocacia e membros do sistema de Justiça.
As declarações de Nunes Marques ocorrem em um momento de forte exposição do Judiciário, especialmente do STF, que tem sido alvo de críticas de setores políticos e de questionamentos sobre a atuação de seus integrantes. A Corte também enfrenta debates internos sobre mecanismos para fortalecer sua imagem institucional perante a opinião pública.
Nesse contexto, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, tem defendido a adoção de um código de ética para os integrantes da Corte. A proposta é apresentada como uma forma de reforçar a credibilidade da instituição e ampliar a confiança da sociedade no Judiciário.
Na semana passada, durante evento também realizado no STJ, Fachin manifestou preocupação com os ataques dirigidos ao Poder Judiciário e destacou a necessidade de preservar as instituições responsáveis pela manutenção do Estado Democrático de Direito.
O ministro ainda pregou moderação na atuação pública dos magistrados. “A sociedade digital produz incentivos à visibilidade constante. Mas atentemos para isso. Nem toda visibilidade fortalece instituições. Muitas vezes o silêncio institucional vale mais que o protagonismo individual”, afirmou.
