Prisão domiciliar de familiares pode abrir caminho para benefício a Daniel Vorcaro no STF
Brasília, Quinta, 11 de junho de 2026
Justiça

Prisão domiciliar de familiares pode abrir caminho para benefício a Daniel Vorcaro no STF

Defesa do fundador do Banco Master aposta em julgamentos da Segunda Turma

Defesa de Vorcaro pede ao STF visitas sem gravação
Foto: Reprodução

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Por Redação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro concentra suas expectativas em julgamentos pendentes no Supremo Tribunal Federal (STF) diante das dificuldades para avançar nas negociações de um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF). A avaliação nos bastidores é que a segunda proposta de colaboração apresentada pela defesa encontra obstáculos para ser aceita, o que levou os advogados a reforçarem uma estratégia paralela na Corte.

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O foco da defesa está em recursos relacionados às prisões de Henrique Vorcaro, pai do empresário, e de Felipe Vorcaro, seu primo. Ambos foram detidos durante a sexta fase da Operação Compliance Zero por determinação do ministro André Mendonça. Os casos ainda aguardam conclusão de análise pela Segunda Turma do STF.

Até o momento, André Mendonça e o ministro Luiz Fux votaram pela manutenção das prisões. O ministro Dias Toffoli declarou impedimento para atuar nos processos, enquanto Gilmar Mendes suspendeu o julgamento ao pedir vista dos autos. Nesse cenário, o voto do ministro Kassio Nunes Marques poderá ser determinante para a formação da maioria no colegiado.

A defesa avalia que uma eventual flexibilização das medidas impostas aos familiares de Vorcaro poderá abrir precedente favorável para questionar a manutenção da prisão preventiva do ex-banqueiro. A expectativa dos advogados é utilizar eventual decisão da Segunda Turma para apresentar novos recursos em favor do fundador do Banco Master.

Em março deste ano, a prisão preventiva de Vorcaro foi mantida pelo STF. Na ocasião, o voto de Kassio Nunes Marques foi considerado decisivo para a formação da maioria. Desde então, o cenário jurídico mudou com o início das tratativas para um acordo de colaboração premiada, que passou a ser visto como uma possível alternativa para revisão das medidas cautelares impostas ao empresário.

Caso as negociações com a PGR e a PF sejam definitivamente encerradas sem acordo, a defesa deverá concentrar seus esforços exclusivamente nos recursos em tramitação no Supremo. Nos bastidores, interlocutores ligados ao caso acreditam que uma eventual mudança de entendimento de ministros da Segunda Turma poderia abrir caminho para a concessão de prisão domiciliar ou outras medidas menos rigorosas.

Outro elemento que aumentou a tensão entre os investigados e a condução do caso foi uma decisão recente de André Mendonça envolvendo Raimundo Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI). O ministro revogou o uso de tornozeleira eletrônica imposto ao investigado na quinta fase da operação. A decisão foi recebida com insatisfação por aliados de Vorcaro, que argumentam haver situações semelhantes entre investigados submetidos a tratamentos distintos.

Ao justificar a medida, Mendonça apontou ausência de elementos concretos que demonstrassem risco de fuga ou tentativa de interferência nas investigações. Já no caso de Felipe Vorcaro, a Polícia Federal sustenta que houve tentativa de evasão durante uma ação realizada em Trancoso, na Bahia, no início das apurações.

Enquanto aguarda a definição sobre a delação, Daniel Vorcaro permanece sob custódia em Brasília. Desde sua prisão, em março, o empresário passou por diferentes unidades de detenção em São Paulo e no Distrito Federal. A defesa teme que uma nova rejeição da proposta de colaboração resulte em transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda, hipótese que intensificou a busca por alternativas jurídicas no STF.

Com as negociações em compasso de espera e recursos ainda pendentes de julgamento, os próximos movimentos da Segunda Turma poderão influenciar diretamente os rumos da estratégia adotada pela defesa do ex-banqueiro.

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