Advogado questiona atuação da AGU em defesa de Moraes
Brasília, Sexta, 05 de junho de 2026
Justiça

Advogado questiona atuação da AGU em defesa de Moraes

Especialista em Direito Digital afirma que intervenção do Ministério Público

Ministro Alexandre de Moraes
Ministro Alexandre de Moraes. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

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Por Redação

O advogado e empreendedor Wallace Oliveira, especialista em Direito Cível e Empresarial, Direito Digital e Processual, criticou nesta sexta-feira (6) a decisão de acionar diretamente a Advocacia-Geral da União (AGU) para atuar na defesa institucional do ministro Alexandre de Moraes em processos movidos nos Estados Unidos. Em publicação na rede social X, ele argumentou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deveria ter sido consultada antes da mobilização do aparato estatal.

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A manifestação ocorre após a divulgação de um ofício assinado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, encaminhado ao ministro-chefe substituto da AGU, Flávio José Roman. No documento, datado de 2 de junho, Fachin sustenta que as ações apresentadas nos Estados Unidos pelas empresas Rumble Inc. e Trump Media & Technology Group contra Alexandre de Moraes ultrapassam a esfera individual do magistrado e atingem a independência do Judiciário brasileiro, o Estado de Direito e a soberania nacional.

Com base nesse entendimento, o presidente da Corte considerou “oportuno e necessário” que a AGU adotasse as medidas cabíveis para a defesa do Estado brasileiro no contexto das ações judiciais em tramitação no exterior.

Para Wallace Oliveira, embora a iniciativa possa encontrar respaldo formal na estrutura institucional do Estado, a escolha do caminho adotado levanta questionamentos sobre legitimidade e transparência. Segundo ele, a participação prévia da PGR serviria como um mecanismo de controle institucional capaz de conferir maior imparcialidade ao processo.

Em sua análise, o advogado argumenta que a Procuradoria-Geral da República, por possuir autonomia constitucional e não estar subordinada nem ao Judiciário nem ao Executivo, poderia atuar como um filtro prévio para avaliar a legalidade dos atos questionados antes da mobilização da estrutura estatal em defesa do magistrado.

“O cidadão não enxerga o Estado impessoal em ação; enxerga um pacto de autoproteção entre Poderes”, escreveu Oliveira ao comentar a solicitação feita pelo STF à AGU.

O especialista sustenta que a atuação inicial da PGR poderia cumprir três funções centrais: verificar a conformidade jurídica dos atos contestados, conferir legitimidade institucional à defesa posterior da AGU e preservar o sistema de freios e contrapesos previsto na Constituição.

Na avaliação de Wallace, a ausência desse passo prévio pode fortalecer a percepção pública de proximidade excessiva entre as cúpulas dos Poderes da República. Para ele, temas relacionados a decisões judiciais controversas acabam sendo deslocados do debate jurídico para uma discussão mais ampla sobre soberania nacional, reduzindo o espaço para questionamentos sobre os atos concretos praticados.

Entenda o caso

A controvérsia teve início após ações judiciais protocoladas nos Estados Unidos pelas empresas Rumble e Trump Media & Technology Group contra Alexandre de Moraes. As companhias questionam decisões do ministro relacionadas à moderação de conteúdo e ao bloqueio de perfis em plataformas digitais.

Em resposta à consulta da AGU sobre o tema, o presidente do STF argumentou que as demandas judiciais buscam contestar, perante uma jurisdição estrangeira, decisões tomadas por Moraes no exercício da função jurisdicional e posteriormente referendadas pelo colegiado competente da Suprema Corte.

No ofício, Fachin também menciona que houve tentativa frustrada de citação do ministro e afirma que foram desrespeitados procedimentos internacionalmente reconhecidos para esse tipo de comunicação processual. Segundo o presidente do STF, a discussão ultrapassa a figura individual de Moraes e alcança diretamente a autonomia do Poder Judiciário brasileiro.

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