Pai de Henry Borel relatou suspeita de agressões antes da morte
Brasília, Sexta, 05 de junho de 2026
Justiça

Pai de Henry Borel relatou suspeita de agressões antes da morte

Pai afirma que ouviu do filho a frase "o tio me machuca" e diz que alertou familiares dias antes da tragédia

Henry Borel, vítima de assassinato aos quatro anos. Foto: Instagram/Leniel Borel
Henry Borel, vítima de assassinato aos quatro anos. Foto: Instagram/Leniel Borel

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

Dias antes da morte de Henry Borel, o pai da criança, Leniel Borel, afirmou ter ouvido do próprio filho um relato de possíveis agressões. Segundo ele, o menino disse durante uma chamada de vídeo que não queria voltar para a casa da mãe e afirmou que “o tio me machuca”.

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O relato foi feito por Leniel em entrevista concedida a Globo, em abril de 2021. Na ocasião, ele disse que tentou confirmar a informação com familiares que estavam ao lado da criança, mas recebeu negativas sobre qualquer tipo de agressão.

De acordo com Leniel, Henry estava na casa da avó materna, Rosângela, em Bangu, quando ocorreu a conversa.

“Ele estava meio tristinho e eu perguntei: ‘Filho, o que houve?’. Ele estava em Bangu, na casa da avó. Ele falou: ‘Papai, não quero ir mais para a casa da mamãe’. Eu falei: ‘Filho, o papai vai buscar você no fim de semana, fica tranquilo’. Ele continuou tristinho e eu questionei: ‘Filho o que está acontecendo?’. E ele falou: ‘Ah, o tio me machuca'”, relatou.

Segundo o pai, a avó materna e a babá Thayná estavam próximas da criança durante a chamada.

Leniel afirmou que questionou imediatamente Rosângela sobre o relato do menino.

“Estavam do lado dele a avó e a Thayná. Eu falei: ‘Dona Rosângela, a senhora ouviu que não é coisa da minha cabeça o que o Henry tá falando?’. E ela: ‘Ah, esquece isso. O Henry acabou de vir da psicóloga, a Monique está lá. E ele está aqui. Inclusive está fazendo sessão para isso. Ele é muito inteligente'”, disse.

O pai afirmou que insistiu no assunto, mas recebeu novas negativas.

“Eu falei assim: ‘Mas o Henry está falando’. E ela: ‘Mas isso não está acontecendo. Inclusive a Thayná está aqui, do meu lado'”, contou.

Segundo Leniel, tanto a avó quanto a babá negaram qualquer agressão contra a criança.

Ligação de Monique após o relato

Ainda de acordo com o pai de Henry, menos de uma hora após a conversa, Monique Medeiros entrou em contato para tratar do assunto.

Leniel afirmou que a mãe da criança disse ter instalado uma câmera de monitoramento no quarto do menino e que as imagens não mostravam qualquer irregularidade.

“Ela disse: ‘Esquece isso, Leniel. Trabalha aí tranquilo. Isso não existe. A Thayná foi contratada para isso. Ela fica com ele a manhã inteira e só sai da presença do Henry quando eu chego'”, relatou.

Monique também teria negado que Henry sofresse agressões dentro de casa.

Câmera encontrada durante perícia

No mesmo período, uma perícia complementar realizada pela Polícia Civil no apartamento onde Henry vivia com Monique Medeiros e o então vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, encontrou uma câmera de monitoramento no quarto da criança.

Segundo informações divulgadas à época, o equipamento estava dentro da embalagem original quando foi localizado pelos peritos.

A existência da câmera ganhou destaque após o relato de Leniel sobre a ligação recebida de Monique dias antes da morte do filho.

Henry Borel morreu em 8 de março de 2021. O caso resultou em um dos julgamentos mais longos da história recente do Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, concluído em junho de 2026.

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