Desdobramento da Carbono Oculto mira novo esquema de lavagem do PCC com fintechs
Brasília, Quarta, 15 de julho de 2026
Justiça

Desdobramento da Carbono Oculto mira novo esquema de lavagem do PCC com fintechs

Fluxo Oculto mira esquema de sonegação, lavagem de dinheiro e adulteração com nafta

Proposta na Câmara quer classificar PCC e CV como grupos terroristas
Foto: Reprodução/Redes sociais

Compartilhe em

Foto do autor

Por Gianlucca Gattai

Jornalista político e assuntos internacionais.

O Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), deflagrou nesta manhã (28) a Operação Fluxo Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, considerada a maior ação contra o crime organizado da história do País e que apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

✅ Siga o canal do Claudio Dantas no WhatsApp

Estão sendo cumpridos 55 mandados de busca e apreensão no momento, contando também com apoio dos GAECOs dos Ministérios Públicos do Rio de Janeiro, de Minas Gerais e do Paraná.

O objetivo da nova operação é avançar, de acordo com o MP, no “desmantelamento do esquema de fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis por meio da apreensão de evidências dos ilícitos e da identificação de outros eventuais participantes”.

Os focos principais da ação de hoje são mais seis fintechs descobertas e a adulteração de combustível com uso de nafta (solvente). Também fazem parte da ação a Receita Federal, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), a Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, a Procuradoria-Geral do Estado, a Polícia Militar e a Polícia Civil.

Segundo o MPSP, após a deflagração da Carbono Oculto, “foram descobertas mais seis fintechs que atuavam como bancos paralelos da organização criminosa”: “Elas compunham um poderoso núcleo financeiro, sendo utilizadas para compensações financeiras internas entre diversas distribuidoras e postos de combustíveis, compensações financeiras entre empresas e fundos de investimentos administrados pela organização criminosa, pagamentos de colaboradores e pagamentos de gastos e investimentos pessoais dos principais operadores”.

Juntas, as seis fintechs movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. De acordo com a Receita, “houve a constatação de operações suspeitas, principalmente com depósitos realizados em espécie, procedimento estranho à natureza de uma instituição de pagamento, e contas abertas em outras instituições de pagamento, gerando uma dupla camada de ocultação”.

Entre 2022 e 2024, uma dessas fintechs vinculadas ao PCC recebeu depósitos de mais de R$ 1 bilhão em espécie.

Em outra frente, o MPSP denunciou núcleo envolvido com o desvio de nafta petroquímica para terminais e postos de combustível. Apuração conjunta com a ANP revelou “robusta estrutura de falsidades, com simulada venda de solventes para empresas-fantasma”:

“A denúncia descreve estrutura criminosa criada para a abertura serial de empresas nos mais diversos estados do país. Os denunciados utilizavam parentes, pessoas em situação de vulnerabilidade social e até presos para constituir pessoas jurídicas que supostamente adquiriam solventes, na prática desviados para a Grande São Paulo”.

A investigação conjunta do GAECO e da Receita identificou que, neste núcleo, “são utilizados os mesmos mecanismos de ocultação patrimonial. Além das instituições de pagamento, a movimentação financeira envolvia fundos de investimento, utilizados de forma fraudulenta para dissimulação dos reais beneficiários dos negócios da organização”.

Os recursos financeiros obtidos com o esquema do PCC eram então remetidos a fundos de investimentos para ocultar os reais beneficiários da fraude. Foram identificados quatro fundos que participavam do esquema e são alvos da operação, juntamente com duas administradoras de recursos e duas gestoras.

Os quatro fundos investigados no esquema de desvio de nafta possuem, atualmente, patrimônio estimado em aproximadamente R$ 205 milhões. Em pouco mais de um ano, de acordo com o MPSP, “houve incremento patrimonial superior a 200% nesse montante”.

Com a fase de hoje, “as instituições dão mais um passo aprofundado na atuação integrada e na compreensão do ecossistema criminoso que alimentam as organizações criminosas, especialmente nos mecanismos de lavagem de capitais, que garantem o poderio econômico que as mantém em atividade e fomentam o seu crescimento”.

As estruturas alvo da ação de hoje “utilizaram-se do mesmo balcão financeiro marginal, compartilhando canais de escoamento e técnicas de lavagem, por vezes fundos/fintechs, alguns dos quais já indicados na primeira fase da Carbono Oculto e que, agora, aparecem evidenciados novamente, especialmente na frente da nafta”.

Escreva seu e-mail para receber bastidores e notícias exclusivas

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade