Número é recorde; casos envolvendo crianças e adolescentes somaram quase 24 mil no ano
Mais de 84 mil pessoas desapareceram no Brasil em 2025, de acordo com dados enviados pelos estados e pelo DF ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp). Os dados, divulgados nesta manhã (28), integram o painel oficial de Pessoas Desaparecidas e Localizadas do Sinesp.
O nº é o maior desde o início da série histórica, em 2015, e supera os patamares registrados antes da pandemia de Covid-19.
De acordo com a lei que institui a Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei 13.812/2019), pessoa desaparecida é “todo ser humano cujo paradeiro é desconhecido, não importando a causa de seu desaparecimento”.
A taxa nacional de desaparecimentos em 2025 foi de 39 casos a cada 100 mil habitantes, considerando os registros consolidados ao longo do ano.
O maior volume absoluto de casos foi registrado em São Paulo, com 20.564 desaparecimentos, o equivalente a 24% do total nacional. Proporcionalmente à população, Roraima lidera o ranking, com cerca de 80 desaparecimentos por 100 mil habitantes.
Entre crianças e adolescentes, foram registrados 23.919 desaparecimentos em 2025. O número representa uma média de 66 casos por dia nessa faixa etária e um aumento de 8% em relação a 2024, quando a média diária era de 60 registros.
A coordenadora de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, Iara Buoro Sennes, afirma que os dados devem ser analisados considerando possíveis distorções, como a subnotificação de casos de localização.
Segundo ela, é comum que familiares comuniquem o desaparecimento, mas não informem quando a pessoa é encontrada, o que eleva os números consolidados.
Outra explicação para o aumento dos registros, de acordo com Sennes, é o incentivo ao registro imediato das ocorrências.
“Temos uma oscilação nesses números, que é entendida também em termos do aumento da visibilidade e conscientização em relação à formalização desses casos”, afirmou a coordenadora.
“A gente tem se esforçado nesses últimos anos de fazer, por exemplo, campanhas que incentivam o registro imediato das ocorrências, indo contra, por exemplo, àquele limite de que tem que esperar 24 horas para para fazer uma comunicação formal de um desaparecimento”, completou Sennes.
