Zema diz que tem "currículo" e não sobrenome - Claudio Dantas
Brasília, Segunda, 22 de junho de 2026
Política

Zema diz que tem “currículo” e não sobrenome

Pré-candidato critica propostas trabalhistas, fala sobre alianças à direita e defende mudanças em programas sociais

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O pré-candidato à presidência da república, Romeu Zema (Novo), afirmou hoje (22), durante coletiva para a imprensa no evento da CNI, que sua trajetória profissional e administrativa o diferencia dos demais nomes colocados para a disputa presidencial de 2026. Ao comentar o cenário eleitoral, o mineiro declarou que possui “currículo” e não sobrenome político.

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Segundo Zema, o eleitor costuma avaliar os candidatos com mais atenção na reta final das campanhas, o que pode alterar o cenário das pesquisas.

“Esse país não corrige, não. E eu já falei, eleito presidente, o primeiro choque meu, é um choque moral e ético. Falar, não estou trazendo nenhum parente, nenhum apadrinhado, estou aqui para fazer o certo. Como eu já mostrei que é possível fazer em Minas Gerais. Então à medida que o Brasil ficar conhecendo o que foi feito e o que eu quero fazer, eu tenho certeza que nós vamos caminhar numa situação semelhante a 2018. Em 2018 eu fiquei em terceiro, quarto lugar, 99% do percurso. Na hora que tem um debate, na hora que o brasileiro fala eu vou votar daqui uma semana, deixa eu ver quem são os candidatos, as coisas começam a mudar.”

Na sequência, o governador destacou aquilo que considera ser seu principal diferencial em relação aos demais concorrentes.

“A maioria tem sobrenome, eu tenho currículo.“

União da direita

Ao abordar as articulações para 2026, Zema afirmou que vê espaço para múltiplas candidaturas do campo conservador no primeiro turno, com convergência em uma eventual segunda etapa da disputa.

Em sua avaliação, o cenário brasileiro pode repetir o modelo observado recentemente em outros países da América Latina.

“Vamos ter uma eleição semelhante a que tivemos alguns meses atrás no Chile. Diversos candidatos da direita, lado a lado, cada um fazendo a sua trajetória no primeiro turno e no segundo turno, todos juntos.”

O governador também citou a parceria entre PSD e Novo em Minas Gerais e afirmou manter boa relação com outros líderes da direita.

“O PSD e o Partido Novo já estão juntos em Minas Gerais, onde o Matheus Simões, que é o atual governador, saiu do Novo e foi para o PSD, e o Novo vai indicar o candidato a vice-governador. Me dou bem com o Caíado, me dou bem com o Cassap, tenho certeza que no segundo turno nós vamos estar juntos sim.“

Críticas à pauta da escala 6×1

Questionado sobre a proposta de redução da jornada de trabalho e o debate em torno da escala 6×1, Zema classificou a discussão como inadequada para um ano eleitoral.

Segundo ele, o foco deveria estar no aumento da renda dos trabalhadores e na ampliação das possibilidades de contratação.

“Esse tipo de pauta nunca deveria ter ocorrido em um ano eleitoral como esse, já que é uma pauta extremamente populista, como você disse.”

Para o governador, a carga horária deve ser definida por acordos entre empregadores e empregados, sem imposição por parte do governo federal.

“Eu comentei que o brasileiro quer é ter uma vida melhor, e para ele ter uma vida melhor, ele quer é ganhar mais. E quem ganha mais opta. Se quer trabalhar 30 horas, 35, 40, 50, não é uma canetada aqui de Brasília que vai definir o que o brasileiro vai fazer.”

Zema também defendeu a criação de modalidades alternativas à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

“O que eu quero é ter uma alternativa à CLT, como já existe em vários países sérios. Trabalho por hora”.

Bolsa Família e mercado de trabalho

Durante a coletiva, o governador voltou a defender mecanismos de incentivo para beneficiários de programas sociais ingressarem no mercado formal de trabalho.

Segundo ele, a diferença entre o benefício recebido e os descontos incidentes sobre o salário formal pode desestimular a contratação com carteira assinada.

“Trabalho assinado. Simulação de um salário mínimo. O que acontece? Alguém está no Bolsa Família está recebendo R$ 600,00. Na hora que ele está registrado com um salário mínimo, ele passa a recolher R$ 300,00 por mês para o governo, de INSS e outras verbas.”

Como alternativa, Zema afirmou que pretende criar incentivos financeiros para estimular a formalização.

“Ou seja, com a diferença de R$ 900,00, menos R$ 600,00 para mais R$ 300,00. E eu falei, eu vou dar um prêmio de R$ 5.000,00. Esse prêmio em cinco, seis meses ele está quitado.”

O governador concluiu defendendo mudanças na política de assistência social para ampliar a participação no mercado de trabalho.

“Então nós temos de incentivar as pessoas saírem. Nós temos de criar algum mecanismo porque hoje as pessoas estão se recusando. Elas querem ficar nessa zona de conforto que se criou e isso perpetua uma geração, que eu tenho denominado, quase que de emprestáveis.“

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