Antes de ter a liquidação decretada pelo Banco Central, o Will Bank chegou a oferecer ao público CDBs com rendimento de até 230% do CDI. As ofertas eram divulgadas nas redes sociais da instituição e tinham como público-alvo clientes das classes C e D.
Em uma publicação feita no Instagram em novembro de 2023, o banco digital anunciava um CDB com rendimento de 230% do CDI por três meses. Em outra oferta, o retorno prometido era de 140% do CDI por seis meses, sempre com a indicação de que as condições eram válidas por tempo limitado.
Em uma das postagens, o banco afirmava: “Aplicando a partir de R$ 500, sua grana fica monstrona com as condições especiais de Black Friday. Aqui seu dindim está protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito e é beeeeem mais vantajoso do que a poupança. Ofertas por tempo limitado e enquanto durar o estoque”.
O Will Bank é uma evolução da fintech Pag!, fundada em 2016, em Vitória, inicialmente voltada à oferta de cartões de crédito. Com o tempo, passou a ampliar o portfólio e incluir produtos de investimento, como CDBs.
Adquirido pelo grupo Master em 2024, o banco digital passou a adotar o mesmo modelo de negócios da controladora. A estratégia incluía a menção recorrente à proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) como argumento de segurança para atrair investidores.
Na área de perguntas e respostas do site, o Will Bank informava que os investimentos eram seguros em razão da garantia do FGC. A abordagem é alvo de questionamentos por distorcer a finalidade do fundo, criado para preservar a estabilidade do sistema financeiro, e não para chancelar estratégias de captação agressivas.
Segundo dados do próprio banco, o Will chegou a reunir até nove milhões de clientes e movimentar cerca de R$ 7,5 bilhões. Informações do Banco Central indicam que, no momento da liquidação, a instituição tinha aproximadamente cinco milhões de clientes e representava 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional.
Com a liquidação do Will Bank, a estimativa é que o custo de ressarcimento pelo Fundo Garantidor de Crédito relacionado ao caso Master possa alcançar R$ 50 bilhões.
