Após reunião com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), parlamentares da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado confirmaram o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro para a próxima terça-feira, às 10h, na sala do colegiado.
O encontro com o ministro ocorreu nesta terça-feira (24) e teve como objetivo alinhar os termos da oitiva, além de tratar das condições logísticas para a participação de Vorcaro, que é investigado por suspeitas de fraude financeira envolvendo o Banco Master.
Segundo integrantes do grupo de trabalho criado para acompanhar o caso, Mendonça colocou à disposição uma aeronave da Polícia Federal para transportar o empresário de São Paulo a Brasília. O deslocamento poderá ocorrer com a presença do advogado de defesa, e o banqueiro será ouvido na condição de convidado.
Na semana anterior, o ministro, que é relator do processo no STF, já havia concedido habeas corpus que assegurava a Vorcaro o direito de optar por comparecer ou não a convocações parlamentares. A decisão também vetou eventual deslocamento em aeronave particular.
Preso em novembro durante operação da PF, o banqueiro cumpre atualmente prisão domiciliar, o que exige autorização judicial para qualquer saída de sua residência.
Na segunda-feira (23), o banqueiro era previsto para depor Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), mas não compareceu à sessão, amparado pela decisão do STF.
De acordo com parlamentares da CAE, no entanto, a defesa entrou em contato diretamente com o presidente do colegiado, Renan Calheiros, assegurando a disposição do empresário em prestar esclarecimentos.
O senador Eduardo Braga (MDB-AM), que participou da reunião no STF, afirmou que o ministro sinalizou apoio institucional para viabilizar o depoimento. Segundo ele, a Corte aguarda apenas comunicação formal da comissão para definir as condições finais da oitiva.
Além das tratativas sobre o comparecimento de Vorcaro, os parlamentares discutiram o acesso a informações relacionadas às investigações. Braga relatou que parte dos dados poderá ser compartilhada com o Senado, enquanto outros pontos permanecerão sob sigilo para não comprometer o andamento do processo.
Renan Calheiros, por sua vez, manifestou insatisfação com a falta de retorno de órgãos como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central quanto a pedidos de informações já encaminhados pela comissão. Segundo ele, apesar de solicitações formais e contatos institucionais, a CAE ainda não recebeu os esclarecimentos esperados.
