Vinte Estados adotam “emenda Pix” com baixa transparência
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Política

Vinte Estados adotam “emenda Pix” em orçamentos locais, com baixa transparência

Levantamento aponta 20 Estados usando “emenda Pix” em orçamentos locais, com brechas de transparência.
Levantamento aponta 20 Estados usando “emenda Pix” em orçamentos locais, com brechas de transparência. Foto: Alexandre Netto/ALMG.

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Por Redação

Levantamento do Estadão mostra avanço do mecanismo sem controle suficiente

Vinte Estados copiaram o modelo da chamada “emenda Pix” — transferências especiais sem necessidade de convênio — e passaram a usá-lo nos próprios orçamentos estaduais, segundo revelou o Estadão, com base em dados da Transparência Internacional (TI). Apenas Pará, Bahia, Espírito Santo, Paraná e Rio Grande do Sul não votaram leis que copiam o modelo do Governo Federal.

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O movimento ocorre em meio a lacunas de divulgação sobre quem recebe e como aplica o dinheiro, o que acende alerta para riscos de corrupção e mau uso de verbas. Em paralelo, decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) interromperam repasses federais nessa modalidade quando faltaram informações mínimas.

A TI divulgou a nova rodada do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP) dos governos estaduais. Só Acre, Minas Gerais e Distrito Federal divulgam integralmente dados de emendas; na maioria, faltam planos de trabalho, identificação precisa dos projetos e acompanhamento de obras. “O primeiro risco é da própria corrupção… a transparência é mecanismo de prevenção e detecção”, afirmou ao portal Terra Renato Morgado, gerente de Programas da TI.

Emendas “Pix” — criadas no plano federal para acelerar repasses diretos a Estados e municípios — também foram replicadas por Assembleias Legislativas na forma de transferências especiais estaduais. A TI e veículos que repercutiram o estudo relatam que 13 Estados não publicam os planos de trabalho desses recursos, descumprindo exigências de transparência já fixadas pelo STF para a modalidade.

O que é a “emenda Pix” e por que preocupa

Trata-se de transferência direta ao caixa do ente beneficiário, sem convênio e com aplicação definida depois, o que dificulta rastrear a execução. A TI e outros órgãos de controle identificam riscos quando não há identificação do projeto, do beneficiário final e do estágio físico-financeiro da obra. O próprio ITGP traz ranking e critérios que cobram essas informações das gestões estaduais.

Neste mês, o ministro do STF Flávio Dino suspendeu repasses de emendas a nove municípios após auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) apontar falhas de transparência, superfaturamento e obras paralisadas. O ministro também determinou envio dos casos à Polícia Federal. As decisões reforçam a exigência de rastreabilidade e publicidade para liberação de recursos.

Publicações regionais que divulgaram o levantamento mencionam que, entre os 20 que adotaram o mecanismo, há Estados como Acre, Minas Gerais, São Paulo e Roraima — todos sob escrutínio quanto ao nível de transparência sobre destino e execução dos recursos.

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