Veja detalhes da decisão de Dino sobre penduricalhos
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Justiça

Veja detalhes da decisão de Dino sobre penduricalhos

Decisão do STF atinge auxílios sem previsão legal pagos nos Três Poderes

Flávio Dino determina revisão e suspensão de penduricalhos ilegais no serviço público que permitem supersalários acima do teto constitucional.
Crédito para a foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a revisão e a suspensão de “penduricalhos” ilegais no serviço público atinge benefícios usados para elevar remunerações acima do teto constitucional. A ordem vale para os Três Poderes e alcança União, estados e municípios.

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Entre os pagamentos atingidos estão auxílios conhecidos como “auxílio-peru”, “auxílio-panetone”, “auxílio Iphone”, “auxílio-locomoção” e outras verbas classificadas como indenizatórias sem previsão legal expressa. A decisão será analisada pelo plenário do STF no dia 25 de fevereiro.

Ao fixar prazo de 60 dias para a revisão das verbas remuneratórias e indenizatórias, Dino afirmou que se consolidou no país um sistema incompatível com a Constituição, baseado na multiplicação de benefícios paralelos.

Na decisão, o ministro listou exemplos de pagamentos a serem revistos, como licença compensatória passível de conversão em dinheiro, gratificações por acúmulo de processos ou funções exercidas na mesma jornada, auxílios pagos sem comprovação de despesa, licença-prêmio convertida em valores indenizatórios e acúmulo voluntário de férias com posterior pagamento.

“O que se observa é uma multiplicação anômala de parcelas rotuladas como indenizatórias, utilizadas para ultrapassar o teto constitucional de remuneração”, afirmou Dino.

O ministro também citou bônus natalinos, como “auxílio-panetone” e “auxílio-peru”, classificados como pagamentos recorrentes que violam o limite constitucional de salários no serviço público.

“Ainda que se cuide de nomes aparentemente anedóticos, eles caem em conhecimento geral repetidamente nos últimos anos, configurando frontal violação à Constituição”, escreveu.

A medida alcança ainda benefícios recentes adotados por órgãos públicos. Um exemplo citado é o pagamento de até R$ 22 mil pela Procuradoria-Geral do Município de São Paulo para a compra de computadores, celulares e outros equipamentos eletrônicos, prática que ficou conhecida como “auxílio Iphone”.

A decisão foi proferida em ação ajuizada por procuradores municipais de Praia Grande (SP) contra decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo que limitou a remuneração da categoria a 90,25% do subsídio dos ministros do STF. Pela liminar, verbas sem base legal deverão ser suspensas após a revisão, com publicação de atos administrativos que detalhem o fundamento jurídico de cada pagamento.

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