O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que a carta divulgada por Jair Bolsonaro em apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reforça a ligação do senador com o ex-presidente e fortalece sua candidatura ao Palácio do Planalto. Segundo Valdemar, Bolsonaro concentra o capital eleitoral da direita.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada neste domingo (12), o dirigente do PL rebateu avaliações de que a divulgação da carta demonstraria fragilidade da campanha de Flávio.
“O Bolsonaro é que tem os votos. Veja bem o que ele fez, por exemplo, para o nosso partido, nós estamos com 98 deputados hoje federais. É o Bolsonaro que tem muito voto. Agora, tem que ser gente boa para pegar esses votos.”
A manifestação ocorre um dia depois de Flávio Bolsonaro divulgar uma carta assinada pelo ex-presidente. No texto, Bolsonaro o apresenta como seu “porta-voz” e pede união entre os apoiadores em torno da pré-candidatura do filho mais velho.
Após a leitura do documento, Flávio afirmou que a mensagem busca evitar “falas conflituosas ou direções diferentes” dentro do campo político conservador.
Valdemar defende unidade no PL
Valdemar afirmou que espera que a carta contribua para reduzir as divergências internas no partido e incentive a participação da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na campanha.
“Se nós perdermos as eleições, o Bolsonaro fica mais dez anos preso. Vai ser um caos.”
A divulgação da carta ocorreu em meio ao desgaste da relação entre Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro, intensificado por divergências nas articulações políticas para as eleições de 2026.
Carta também gera questionamentos no STF
A publicação do documento também motivou questionamentos sobre eventual descumprimento das restrições impostas a Jair Bolsonaro no regime de prisão domiciliar.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que o ex-presidente retorne ao regime fechado e seja multado pela divulgação da carta.
Na petição, o parlamentar argumenta:
“O descumprimento é objetivo, deliberado e confessado. Objetivo, porque a manifestação do apenado foi efetivamente veiculada em rede social, alcançando audiência massiva. Deliberado, porque a carta foi redigida na manhã do mesmo dia da divulgação, no curso de visita familiar autorizada, instrumentalizando-se, assim, o próprio regime de visitas.”
Questionado sobre a possibilidade de novas sanções contra Bolsonaro, Valdemar descartou irregularidade na divulgação do documento.
“Carta ele pode escrever”.