Rubio diz que missão médica foi esquema de exportação forçada de trabalho
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira (13) a revogação de vistos de autoridades brasileiras e ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) envolvidos no programa Mais Médicos. A medida inclui familiares dos sancionados e é parte de um pacote de restrições que acusa o grupo de participação em um esquema de exportação forçada de trabalho operado pelo regime cubano.
Em publicação no X, Marco Rubio classificou o programa como “um golpe diplomático inconcebível”
“O Departamento de Estado também está tomando medidas para revogar vistos e impor restrições a vários funcionários do governo brasileiro e ex-funcionários da Opas cúmplices no esquema de exportação forçada de trabalho do regime cubano. O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, escreveu.
As medidas de Washington atingem integrantes e ex-integrantes do governo brasileiro, além de ex-funcionários da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e seus familiares. De acordo com o Departamento de Estado, todos são acusados de participar de um esquema que, entre 2013 e 2018, levou mais de 10 mil médicos cubanos ao Brasil durante o governo Dilma Rousseff. Documentos oficiais mostram que a Opas foi usada para intermediar pagamentos a Cuba, contornando a fiscalização do Congresso Nacional.
O programa Mais Médicos, em 2023, oferecia atendimento básico a 63 milhões de brasileiros que antes estavam desassistidos. No entanto, essa expansão da cobertura de saúde também serviu como desculpa para financiar a ditadura cubana.
O caso se agrava pelo histórico de grandes repasses de recursos do Brasil para Cuba por meio do BNDES. O envio de dinheiro público para regimes que não são democráticos, que carecem de Judiciário independente, imprensa livre e Ministério Público atuante para fiscalizar o uso dos recursos, deveria ser vetado, seguindo o modelo de cláusulas democráticas e de exigências de ESG adotadas em muitos países desenvolvidos.
O Mais Médicos sempre foi alvo de críticas de parlamentares e entidades internacionais por supostamente submeter os médicos cubanos a condições análogas ao trabalho forçado, com cerca de 70% dos salários retido pelo governo cubano.
Em 2018, a Comissão de Assuntos Sociais aprovou, nesta quarta-feira (21), um relatório sobre os resultados e principais problemas do Programa Mais Médicos, criado em 2013. O documento aponta que, entre 2013 e 2017, o governo gastou aproximadamente R$ 13 bilhões com a iniciativa.
Mais da metade desse valor, cerca de R$ 7 bilhões, foi enviada ao exterior para o convênio responsável pela contratação dos médicos cubanos. O relatório também alerta para o risco de cortes no orçamento e propõe maior participação de profissionais brasileiros.
.@StateDept is also taking steps to revoke visas and impose visa restrictions on several Brazilian government officials and former PAHO officials complicit in the Cuban regime’s forced labor export scheme. Mais Médicos was an unconscionable diplomatic scam of foreign ‘medical… https://t.co/O1AiY948MK
— Secretary Marco Rubio (@SecRubio) August 13, 2025
