Em audiência de custódia realizada agora à tarde, Jair Bolsonaro disse que teve “uma certa paranoia de sexta para sábado, em razão de medicamentos que tem tomado”. Os remédios (Pregabalina e Sertralina), segundo ele, têm sido receitados por médicos diferentes (Cláudio Birolini, Leandro Chenique e Marina Graziottin Pasolini) e “interagiram de forma inadequada”.
O ex-presidente explicou que tem tido “sono picado e não dorme direito”. Disse também que resolveu usar um ferro de solda para mexer no equipamento, “pois tem curso de operação” para esse tipo de dispositivo.
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia. O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite.”
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À juíza auxiliar Luciana Yuki Sorrentino, Bolsonaro informou também que todos dormiam no momento em que resolveu mexer no dispositivo e que “ninguém percebeu qualquer movimentação”.
“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião. O depoente afirmou que passou a tomar um dos remédios cerca de 4 (quatro) dias antes dos fatos que levaram à sua prisão.”
Bolsonaro também negou qualquer intenção de fugir e a prova é que não houve “rompimento da cinta” da tornozeleira. Ele também lembrou que a única vez em que a cinta foi rompida ocorreu quando da realização de uma tomografia. O ex-presidente também rejeitou a tese de Alexandre de Moraes de que a vigília convocada por Flávio Bolsonaro pudesse acarretar problemas à ação da Polícia.
“Que o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga.”
Participaram da audiência os advogados Daniel Bettamio Tesser e Paulo Henrique Aranda Fuller, além do procurador Joaquim Cabral da Costa Neto, representante da PGR.

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