União Europeia não flexibilizará exigências sanitárias para carne brasileira
Brasília, Terça, 21 de julho de 2026
Economia

União Europeia não flexibilizará exigências sanitárias para carne brasileira

Brasil será oficialmente retirado da lista de exportadores autorizados do bloco a partir de 3 de setembro

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Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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Por Redação

O embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, afirmou que a União Europeia (UE) não pretende flexibilizar as exigências sanitárias para permitir o retorno da carne brasileira ao mercado europeu. A declaração foi dada ontem (20) em entrevista ao site g1.

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A Irlanda ocupa atualmente a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, função iniciada em 1º de julho e com duração de seis meses.

Segundo Gallagher, as regras relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal já eram conhecidas pelo governo brasileiro e vinham sendo discutidas entre as partes há anos.

“Essas exigências relacionadas aos padrões para uso de antimicrobianos não são novas. Elas já são conhecidas há bastante tempo, e a União Europeia vinha mantendo diálogo com as autoridades brasileiras sobre esses padrões há algum tempo”, afirmou.

O embaixador disse que a retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal para o bloco foi uma decisão “técnica”. Segundo ele, caberá ao governo brasileiro adotar medidas para atender aos critérios europeus.

Os antimicrobianos são utilizados no tratamento e na prevenção de infecções em animais. Alguns medicamentos também podem ser usados como promotores de crescimento, prática limitada pela legislação da União Europeia.

Em junho, o bloco retirou oficialmente o Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as normas europeias de controle do uso dessas substâncias na produção animal. A partir de 3 de setembro, o país ficará impedido de exportar carnes e outros produtos de origem animal para o mercado europeu.

Antes da decisão, o Brasil estava autorizado a vender ao bloco carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel.

Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que “há grandes chances” de o setor não conseguir se adequar às novas exigências da União Europeia dentro do prazo. A entidade aponta que a adaptação da pecuária bovina pode levar cerca de 30 meses devido ao ciclo de produção.

Gallagher afirmou que outros países sul-americanos permaneceram habilitados porque conseguiram cumprir os requisitos estabelecidos pela União Europeia.

“Outros países da América do Sul conseguiram atender às exigências da União Europeia. A decisão tomada pelo comitê responsável por esse tema foi uma decisão técnica. O comitê avaliou diversos países, e aqueles que atenderam tecnicamente aos requisitos permaneceram na lista de exportadores autorizados a vender para a União Europeia”, disse.

O embaixador afirmou que o critério adotado pelo bloco é baseado no cumprimento das regras sanitárias. “A regra é muito simples: quem atende aos padrões permanece na lista; quem não atende, deixa de fazer parte dela. Os padrões técnicos estão no centro da União Europeia e do próprio projeto europeu”, defendeu.

Apesar da suspensão, Gallagher afirmou que o Brasil continua em diálogo com a Comissão Europeia para buscar uma solução. Segundo ele, o bloco está aberto às negociações, mas a adequação depende de medidas adotadas pelo governo brasileiro.

Questionado sobre o caminho para a retomada das exportações, o embaixador afirmou que o Brasil precisa criar um sistema capaz de garantir o cumprimento das exigências sanitárias europeias. Reforçou que a União Europeia pode discutir alternativas com as autoridades brasileiras, mas que a responsabilidade pela adaptação é do país exportador.

“No fim das contas, porém, a responsabilidade é do lado brasileiro, que precisa estabelecer os padrões necessários”, disse.

Gallagher comparou a situação com as exigências impostas pelo próprio Brasil a produtos estrangeiros. “Se eu quiser exportar produtos da Irlanda para o Brasil, também preciso cumprir os requisitos sanitários e fitossanitários brasileiros antes de poder comercializar esses produtos. É o mesmo princípio. O Brasil não reduziria seus padrões apenas porque a Irlanda deseja exportar determinado produto. Da mesma forma, a União Europeia também não fará isso”, afirmou.

Sobre a possibilidade de um acordo antes de 3 de setembro, quando a suspensão entra em vigor, o embaixador disse que não participa diretamente das negociações e, por isso, não poderia prever um prazo. Ainda assim, afirmou acreditar que o impasse pode ser resolvido com a continuidade do diálogo entre Brasil e União Europeia.

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