A União Europeia atribuiu ao Brasil a responsabilidade pelas restrições impostas à importação de carne e soja, afirmando que o país deixou de apresentar as comprovações exigidas para atender às normas sanitárias do bloco.
Em entrevista à Folha de S.Paulo, publicada nesta terça-feira (9), o porta-voz da União Europeia para Comércio, Olof Gill, disse que as autoridades europeias cobraram por anos evidências de que a cadeia produtiva brasileira destinada ao mercado europeu seguia os padrões de segurança alimentar e saúde animal adotados pelo bloco.
“Por 3 ou 4 anos pedimos que o Brasil mostrasse evidências para garantir que a cadeia dos alimentos que vão para a Europa, como a carne, atenda aos padrões de segurança alimentar e de saúde. O Brasil não fez isso até agora”, afirmou.
Segundo Gill, as exigências adotadas pela União Europeia não representam novidade para os exportadores internacionais e incluem restrições relacionadas ao uso de determinados medicamentos e hormônios na produção animal. Na avaliação do representante europeu, o Brasil possui condições técnicas e econômicas para se adequar às regras.
“Acreditamos que o Brasil tem a capacidade industrial, o conhecimento e o poder econômico para fazer isso facilmente. Então, é uma questão simples do Brasil assumir a responsabilidade sobre os produtos que quer enviar para a União Europeia”, declarou.
Apesar do impasse comercial, o porta-voz minimizou possíveis impactos sobre o acordo entre Mercosul e União Europeia. De acordo com ele, a discussão sobre os embargos não deve comprometer a tramitação do tratado, que ainda enfrenta questionamentos na Corte Europeia.
Gill atribuiu parte da resistência ao acordo a fatores políticos e afirmou não enxergar obstáculos jurídicos capazes de inviabilizar sua aprovação. Embora tenha evitado estimar quando o julgamento será concluído, o representante europeu disse acreditar que os benefícios econômicos do tratado tendem a fortalecer sua aceitação ao longo do processo.
