Partidos querem devolução da MP do IOF e acusam governo de falta de competência
Com 109 deputados e quatro ministérios na Esplanada, a federação formada por União Brasil e Progressistas oficializou nesta quarta-feira (11) que votará contra o pacote fiscal do governo Lula se o ministro Fernando Haddad (Fazenda) não apresentar cortes de gastos. A decisão veio acompanhada de fortes declarações dos presidentes das siglas, Antônio Rueda (União Brasil) e Ciro Nogueira (PP), marcando um distanciamento político cada vez mais evidente.
Rueda foi incisivo ao denunciar o modelo fiscal do governo:
“Se o governo não apresentar a sua parte de enxugar a máquina, nós não vamos aceitar essa conta. Imposto demais é veneno, não é remédio. Vamos unir as bancadas e fechar questão contra qualquer proposta de aumento de impostos. A cada novo rombo de Orçamento, o governo gasta mais e mais e volta com novos impostos. Só aceitaremos analisar qualquer discussão fiscal se a coluna de despesas estiver no centro do debate.”
Atualmente, o União Brasil comanda os ministérios das Comunicações (Frederico Siqueira Filho), Turismo (Celso Sabino) e Desenvolvimento Regional (Waldez Góes), somando 60 deputados. Já o PP tem André Fufuca no Esporte e uma bancada de 49 parlamentares. Mesmo com presença no governo, os partidos deixaram claro que não pretendem sustentar a atual política econômica.
Ciro Nogueira foi ainda mais enfático, sugerindo uma ruptura com o Planalto já no mês que vem.
“Serei o primeiro a defender a saída do governo. Não há motivos para continuar ocupando cargos.”
A fala foi aplaudida por deputados alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, indicando a retomada de uma articulação mais coesa da direita no Congresso Nacional.
Além da oposição ao aumento de impostos, a federação avisou que defenderá a devolução da Medida Provisória que Haddad pretende apresentar como parte do pacote fiscal. Segundo Ciro Nogueira, falta ao governo capacidade de gestão.
“Traçamos um risco no chão, de quem é contra ou a favor de aumentar impostos no país e quem é a favor de uma gestão eficiente.”
A sinalização é clara: mesmo com espaço no Executivo, União Brasil e PP não estão dispostos a carregar a conta da gastança do governo petista. A crise fiscal do Planalto se agrava agora com a perda do apoio de dois dos maiores blocos parlamentares do Congresso.
