Um relatório publicado ontem (6) pelo Centro pelo Controle da Migração (CMC), um think tank britânico, concluiu que em dez anos a população de imigrantes de primeira e segunda gerações no Reino Unido atingirá 24 milhões, uma projeção de quase um terço da população total do país (32,4%).
Os imigrantes de primeira geração serão mais de 18 milhões, quase um quarto da população (24,3%). O restante, de mais de seis milhões de segunda geração nascidos no país, inclui somente os nascidos após 1997.
Os números demográficos analisados foram publicados este ano pelo ONS (Gabinete de Estatísticas Nacionais, o “IBGE britânico”). A população atual britânica é de 68,3 milhões de pessoas. Desses, 16,9% nasceram no exterior e 5% são imigrantes de segunda geração.
“A pressão sobre os nossos serviços públicos pela migração em massa é extraordinária”, disse Robert Bates, diretor de pesquisa do CMC. “A qualidade de vida vai cair. A assimilação no modo de vida britânico se torna impossível quando a imigração responde por uma parcela tão grande da população. Na maioria dos casos, os imigrantes de primeira e segunda gerações vão manter a cultura e normas de seu país de origem, com aderência a certos aspectos da vida cívica britânica ficando em segundo plano. O público britânico nunca consentiu a ter seu país transformado dessa forma. In 2029 teremos nossa última chance de reverter a maré”.
A metodologia do CMC busca corrigir subestimativas anteriores do ONS. Por exemplo, em 2022 o ONS estimou a migração líquida em 606 mil, mas depois teve de revisar o número para 872 mil. Em 2023 isso se repetiu: estimativa inicial de 740 mil, revistada para 906 mil.
O Partido Trabalhista governa atualmente o Reino Unido, mas o governo tem menos de um ano, tendo começado após as eleições de julho de 2024. Antes, por 14 anos, o governo foi do Partido Conservador.
O canal de notícias GB News, cobrindo hoje os novos números, chamou o ex-parlamentar conservador Tom Pursglove para comentário. Pode ser que Pursglove tenha se arrependido de aceitar o convite. “Você diz que é insustentável. [Mas] você fez isso”, disse ao entrevistado o editor de política, Christopher Hope.
“Fiz algo a respeito”, tentou se defender Pursglove. “Só depois que aconteceu”, rebateu Hope.
O ex-parlamentar explicou que parte dos números vieram de uma “resposta generosa” do governo britâncio à crise na Ucrânia e em Hong Kong, “e a situação no Afeganistão”, e que os números elevados também vieram da necessidade de trabalhadores da saúde durante a pandemia.
Para o apresentador do programa, Martin Daubney, os números são “assustadores”, “43% de partes de Leicester”, maior cidade do meio-leste inglês, com 373 mil habitantes, “falam pouco ou nenhum inglês, em Pendle [cidade com 100 mil habitantes] são 37%, Oldham, 36%”.
“Cidades industriais britânicas do Norte estão sendo absolutamente dominadas por paquistaneses, bangladeses, pela comunidade asiática, com populações muito muçulmanas, em torno de 26%”, continuou Daubney. “O que temos lá são áreas perfeitas não para o multiculturalismo, mas o monoculturalismo: culturas vivendo lado a lado sem falar inglês, sem querer falar inglês, com altos níveis de dependência do auxílio-desemprego”.
O jornalista detalhou que muitos dos dependentes do auxílio são “mulheres paquistanesas, cujo dever em suas sociedades é cuidar das crianças. Essa é uma situação que não pode continuar. E precisamos dizer que os conservadores abriram as portas para esses problemas”.
Enquanto isso, na imprensa progressista: o jornal The Guardian publicou hoje que dezenas de milhares de crianças “de famílias de imigrantes e refugiados no Reino Unido não conseguiram acesso a creches financiadas pelo governo por causa de restrições do benefício ligadas ao status de imigração de seus pais”. Para o jornal, isso é injusto e está “empurrando as famílias para a pobreza”. O governo oferece 30 horas de creche por semana para famílias britânicas que comprovem baixa renda.
Todo o continente Europeu tem números elevados de influxo de migrantes desde 2015, um resultado de problemas como a guerra na Síria e, mais tarde, a invasão da Ucrânia por Vladimir Putin. Os eleitores, julgando que os líderes tradicionais ignoram o problema, têm recorrido a novos partidos e lideranças como Georgia Meloni, na Itália; a AfD, na Alemanha; e Marine Le Pen, na França. No Reino Unido, está crescendo o partido Reform UK e ressurgindo como liderança Nigel Farage, um dos principais arquitetos do Brexit (a saída do Reino Unido da União Europeia).
