UFS cancela vestibular após prova ligar neonazismo à direita brasileira
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
Brasil

UFS cancela vestibular após prova ligar neonazismo à direita brasileira

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Por Redação

Tema de redação gerou denúncias de proselitismo político e reação de alunos

A Universidade Federal de Sergipe (UFS) cancelou uma prova de vestibular após denúncias de proselitismo político. O exame de redação relacionava o crescimento do neonazismo no Brasil à eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro e ao “avanço da direita política”.

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A avaliação foi aplicada em 10 de agosto para candidatos a cursos de Educação a Distância (EAD). O caso gerou reação imediata entre estudantes, professores e autoridades.

Veja as questões abaixo:

“Assédio ideológico claro, escancarado e devidamente documentado”, afirmou a professora de Direito da UFS Denise Leal Albano à Gazeta. O vereador Lúcio Flávio (PL), de Aracaju, também criticou a prova: “Isso é um absurdo e iremos cuidar para que essa atitude leviana de proselitismo político e ideológico não fique impune”.

O tema exigia que candidatos escrevessem sobre o “avanço do neonazismo no Brasil” e os “desafios para a democracia no século XXI”. Textos de apoio vinculavam a proliferação de células neonazistas ao “discurso do presidente Jair Bolsonaro e ao avanço da direita política no Brasil”. O enunciado determinava nota zero para quem fugisse da proposta.

O vereador Lúcio Flávio classificou a situação como “experiência constrangedora” e anunciou providências contra os responsáveis.

UFS recua após repercussão

Com a repercussão negativa, a UFS anunciou o cancelamento da prova. Em nota, alegou não ter acesso prévio ao conteúdo elaborado por profissionais contratados pela Comissão de Concursos Vestibulares (CCV).

Para a professora Denise Albano, no entanto, houve omissão da reitoria. Segundo ela, servidores da própria comissão participam da seleção e aprovação dos temas. “Se não o fez, houve grave omissão do atual reitor. Se o fez e esses servidores não seguiram as orientações, impõe-se apurar as devidas responsabilizações”, afirmou.

A UFS declarou que preza pela democracia, pluralidade e diálogo, mas a professora relatou perseguição a projetos de viés conservador dentro da instituição. Ela disse que alunos são barrados em seleções por adotarem referências de pensadores conservadores, enquanto eventos ligados à esquerda recebem apoio.

Em maio, por exemplo, a universidade sediou o Encontro dos Estudantes Petistas de Sergipe, que contou como horas complementares para os alunos. Tentativas de realização de atividades religiosas, no entanto, enfrentaram restrições.

Reitoria ligada à esquerda

A nomeação do atual reitor, André Maurício Conceição de Souza, foi comemorada por lideranças de esquerda em Sergipe, como o deputado federal João Daniel (PT), a vereadora Sônia Meire (PSOL) e a deputada estadual Linda Brasil (PSOL).

Até o fechamento da reportagem, a UFS não havia respondido aos questionamentos da imprensa.

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