Ucrânia pode resistir na linha de frente, diz Kiev após pausa na ajuda militar de Trump - Claudio Dantas
Brasília, Quarta, 03 de junho de 2026
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Ucrânia pode resistir na linha de frente, diz Kiev após pausa na ajuda militar de Trump

Guerra na Ucrânia completa 3 anos
Foto: Reprodução/X @ZelenskyyUa

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Por Redação

A Ucrânia afirmou nesta terça-feira (04) que suas forças conseguirão resistir no campo de batalha, apesar da decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de suspender a ajuda militar a Kiev, segundo divulgou a Reuters. A medida representa a guinada mais drástica de Washington em direção a laços mais próximos com a Rússia, intensificando a pressão sobre os aliados europeus para assumirem o financiamento do conflito.

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Trump mudou a política externa americana, resultando em um embate na Casa Branca na sexta-feira, quando repreendeu o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky por não demonstrar gratidão suficiente pelo apoio dos EUA. “O presidente Trump deixou claro que está focado na paz. Precisamos que nossos parceiros também estejam comprometidos com esse objetivo. Estamos pausando e revisando nossa ajuda para garantir que ela esteja contribuindo para uma solução”, disse uma autoridade americana.

O primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmyhal, afirmou que Kiev ainda tem recursos para suprir suas tropas. “Nossos militares e o governo têm as capacidades, as ferramentas para manter a situação na linha de frente”, declarou. Ele acrescentou que a Ucrânia continuará negociando com os EUA “por todos os canais disponíveis”.

Zelensky, por sua vez, manteve silêncio sobre a decisão de Trump. Sua única declaração nesta terça-feira foi sobre uma conversa com o chanceler alemão Friedrich Merz, na qual enfatizou a importância do apoio financeiro e militar da Alemanha. O corte da ajuda dos EUA aumenta a pressão sobre aliados europeus, que têm adotado um discurso de apoio a Kiev, mas sem oferecer os mesmos níveis de financiamento garantidos pelos americanos.

A União Europeia tenta reagir. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou planos para elevar os gastos militares do bloco, com uma proposta que pode mobilizar até 800 bilhões de euros (US$ 840 bilhões). A França criticou o corte da ajuda americana, alegando que ele “só fortalece a mão do agressor… que é a Rússia”, segundo o ministro francês para a Europa, Benjamin Haddad.

O Reino Unido adotou uma postura mais cuidadosa. O primeiro-ministro Keir Starmer conversou com Trump na segunda-feira, mas não comentou se o presidente mencionou o congelamento da ajuda. “O primeiro-ministro e o presidente Trump estão focados no mesmo resultado, que é proporcionar uma paz segura e duradoura na Ucrânia”, disse um porta-voz britânico.

A decisão de Trump gerou forte reação na Ucrânia. Oleksandr Merezhko, chefe do comitê de relações exteriores do parlamento ucraniano, classificou a medida como um incentivo à rendição. “Trump está nos empurrando para a capitulação”, disse. A advogada ucraniana Olena Bilova foi ainda mais contundente: “Sim, é traição, vamos chamar as coisas como elas são”.

Desde a invasão russa, os EUA destinaram US$ 175 bilhões à Ucrânia. A decisão de Trump interrompe o envio de US$ 3,85 bilhões em ajuda militar previamente aprovados pelo Congresso e pode travar a entrega de equipamentos aprovados durante o governo Biden.

O Kremlin celebrou a medida, chamando-a de “o melhor passo possível para a paz”. Especialistas militares apontam que o impacto da decisão não será imediato, mas pode comprometer as defesas aéreas e o fornecimento de munição a longo prazo.

Trump sugeriu que a Ucrânia ainda poderia fechar um acordo para abrir seus minerais estratégicos para investimentos americanos. Em entrevista à Fox News, o vice-presidente JD Vance defendeu a negociação. “Se você quer garantias reais de segurança, a melhor forma é dar aos americanos vantagens econômicas para o futuro da Ucrânia”, disse.

Enquanto aliados buscam alternativas, a Ucrânia encara um futuro incerto. A guerra, que já dura três anos e devastou cidades inteiras, agora depende da capacidade da Europa de cobrir o vácuo financeiro deixado pelos EUA.

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