TSE cria comissão para monitorar uso de IA nas eleições
Brasília, Quarta, 10 de junho de 2026
Justiça

TSE cria comissão para monitorar uso de IA nas eleições

Grupo terá foco em combate à desinformação e definição de regras para ferramentas de inteligência artificial

Foto: Luiz Roberto/TSE

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Por Mariana Albuquerque

Jornalista e pós-graduada em Direito Legislativo.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, criou uma comissão permanente para discutir e acompanhar o uso de ferramentas de IA (Inteligência Artificial) pela Justiça Eleitoral.

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A medida foi oficializada por meio de portaria publicada nesta terça-feira (9). Entre as atribuições do colegiado está a elaboração de um plano para orientar a utilização da tecnologia tanto nas atividades administrativas quanto nos julgamentos conduzidos pela Justiça Eleitoral.

Uma das principais funções da comissão será propor medidas voltadas ao combate à desinformação e à disseminação de notícias falsas, tema que tem mobilizado as autoridades eleitorais nos últimos anos.

O grupo também ficará responsável por elaborar diretrizes para garantir que sistemas de Inteligência Artificial sejam utilizados de forma segura, transparente e alinhada a princípios éticos. Caberá ainda à comissão estabelecer critérios para contratação, aquisição e desenvolvimento dessas tecnologias pelos órgãos da Justiça Eleitoral.

Outra atribuição prevista é a criação de padrões para integração e compartilhamento de sistemas entre os tribunais eleitorais. O colegiado também deverá manter um cadastro nacional das ferramentas de Inteligência Artificial desenvolvidas ou utilizadas pela estrutura da Justiça Eleitoral.

A portaria determina ainda que a comissão acompanhe parcerias firmadas com universidades e instituições especializadas em Inteligência Artificial. O objetivo é ampliar a capacidade técnica da Justiça Eleitoral para identificar e enfrentar crimes praticados em ambientes digitais.

Ao assumir a presidência do TSE no mês passado, Kássio Nunes Marques apontou a Inteligência Artificial como um dos principais desafios para as eleições de 2026. Segundo o ministro, a dinâmica eleitoral passou a ser fortemente influenciada pelo ambiente digital e pelas plataformas tecnológicas.

Desde 2025, o tribunal vem desenvolvendo estudos e iniciativas para antecipar riscos relacionados ao avanço da Inteligência Artificial, especialmente após a popularização de vídeos hiper-realistas gerados por tecnologia.

Nas eleições municipais de 2024, o TSE regulamentou pela primeira vez o uso de Inteligência Artificial na propaganda eleitoral e proibiu a utilização de deepfakes. Também vetou conteúdos manipulados para divulgar informações falsas ou descontextualizadas com potencial de influenciar a disputa.

Para as eleições de 2026, sob relatoria de Nunes Marques, as restrições foram ampliadas. Ficou proibida a publicação, republicação e o impulsionamento de conteúdos produzidos ou alterados por Inteligência Artificial nas 72 horas anteriores à votação e nas 24 horas posteriores ao encerramento do pleito.

As regras também determinam que conteúdos produzidos com uso de Inteligência Artificial sejam identificados de forma obrigatória.

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